Miguel Nicolelis: Brasil pode passar marca das 3 mil mortes diárias nas próximas semanas e "isso é um genocídio"

Para o médico e neurocientista, o número de óbitos deve ser dobrado nas próximas semanas, o que significa que o Brasil teria de 180 a 270 mil mortes pela Covid-19 em apenas 3 meses. "Isso já é um genocídio, só que ninguém ainda usou a palavra. O que são 250 mil mortes sendo que a vasta maioria poderia ter sido evitada?", disse

Miguel Nicolelis e cemitério em Manaus (AM) em meio à pandemia de coronavírus
Miguel Nicolelis e cemitério em Manaus (AM) em meio à pandemia de coronavírus (Foto: Brasil 247 | REUTERS/Bruno Kelly)
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247 - O médico e neurocientista Miguel Nicolelis estima que, dado o avanço desenfreado da pandemia da Covid-19 no Brasil, o país terá em torno de 3 mil óbitos diários nas próximas semanas. 

A conta é assustadora. Caso a previsão seja cumprida, seriam de 180 a 270 mil mortes em apenas 3 meses. 

"Nós podemos ter a maior catástrofe humanitária do século XXI em nossas mãos. A possibilidade de cruzar 2 mil óbitos diários nos próximos dias é absolutamente real. A possibilidade de cruzarmos 3 mil mortes diárias nas próximas semanas passou a ser real. Se você tiver 2 mil óbitos por dia em 90 dias, ou 3 mil óbitos por 90 dias, estamos falando de 180 mil a 270 mil pessoas mortas em três meses. Nós dobraríamos o número de óbitos. Isso já é um genocídio, só que ninguém ainda usou a palavra. O que são 250 mil mortes sendo que a vasta maioria poderia ter sido evitada?", disse ao Uol.

Ele ainda prevê que o sistema de saúde em São Paulo colapsará completamente nas próximas semanas: "Acho que São Paulo vai colapsar. Campinas já colapsou. Rio Preto colapsou. Ribeirão Preto está no mesmo caminho. A cidade de São Paulo não vai aguentar. O Hospital Emilio Ribas já está 100% e com fila de espera. O Hospital das Clínicas, que tem um dos maiores números de leitos de UTI do Brasil, está com 80% de ocupação e vai colapsar".

Para o médico, é necessário que governantes tratem a população, e não interesses alheios a ela, com prioridade: "As pessoas estão falando de sucessão presidencial em 2022 quando o país está morrendo na pandemia. Faltou decisão política e visão estratégica. Faltou as pessoas eleitas pensarem não nos lobbys econômicos e políticos que as sustentam, mas nos cidadãos como prioridade. É preciso bancar uma decisão"

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