HOME > Brasil

Militares da Marinha fazem carta em defesa de ex-comandante suspeito de envolvimento em trama golpista

Em carta, colegas que se formaram com o almirante Almir Garnier na Escola Naval dizem que ele "enfrenta acusações lançadas ao vento"

Almir Garnier Santos e Jair Bolsonaro (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

247 - O almirante de esquadra Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha do governo Jair Bolsonaro (PL), encontrou apoio entre colegas que se formaram com ele na Escola Naval, em 1976. Segundo a CNN Brasil, os colegas de farda do almirante fizeram circular uma carta em que  afirmam que ele “enfrenta acusações lançadas ao vento” e dizem “acreditar em sua inocência”. 

A carta começou a circular após trechos da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, se tornarem públicos. Em seu depoimento à Polícia Federal (PF), Cid contou que Bolsonaro realizou diversas reuniões com os comandantes das Forças Armadas visando um golpe de Estado para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Garnier Santos, que na época era comandante da Marinha, teria informado a Bolsonaro que suas tropas estariam preparadas para apoiar o então mandatário em um possível chamado. >>> "Gravíssimo", diz Dino sobre apoio de ex-comandante da Marinha em trama golpista

“As acusações contra o Almirante Garnier são lançadas aos ventos por estarem baseadas em assunto sob segredo de Justiça, o que torna impossível comprová-las ou, baseadas em assunto sob segredo de Justiça, contradizê-las. Pior, os envolvidos são tolhidos de se manifestar pelo mesmo segredo conferido aos seus depoimentos, enquanto a desinformação grassa solta”, diz um trecho da carta, de acordo com a reportagem. 

Em um outro trecho, os colegas de farda dizem considerar improvável “supor que um almirante-de-esquadra que passou pelo escrutínio de seus pares ao longo de toda a sua carreira, tenha conseguido enganar a todos e mudar seu comportamento de forma tão dramática, não faz sentido. Afinal, pessoas raramente mudam de fato, mas se aperfeiçoam em ser o que sempre foram”. 

Ainda segundo o grupo, “nós da associação da sua turma de Escola Naval acreditamos na sua inocência, formamos ao seu lado e lhe prestamos continência. É nosso dever de lealdade a um amigo, um irmão, um almirante”.