Miriam Leitão, que apoiou o golpe contra Dilma, alerta para os riscos contra a democracia brasileira

A jornalista Miriam Leitão, que apoiou o golpe de 2016 contra a presidente deposta Dilma Rousseff, observa que a semana passada foi marcada pelos alertas sobre os riscos que a democracia brasileira vem correndo atualmente. "A cada dia uma nova fissura, uma política que fere um direito fundamental, mais um rasgo na Constituição”, destaca

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A jornalista Miriam Leitão, que apoiou o golpe de 2016 contra a presidente deposta Dilma Rousseff, observa que a semana passada foi marcada pelos alertas sobre os riscos que a democracia brasileira vem correndo atualmente que foram feitos pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que está deixando o cargo, e pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello.  

“O que estava em questão naquela sessão era o Ministério Público. Como ele deve ser, segundo a Constituição. Em resumo, o decano disse que o Ministério Público não serve a governos, a pessoas, a grupos ideológicos. Não se curva à onipotência do poder. Não deve ser o representante servil da vontade unipessoal, nem pode ser instrumento contra as minorias”, ressalta. 

“Na mesma tarde o procurador indicado continuava sua peregrinação pelos gabinetes dos senadores. Augusto Aras construiu um discurso para o convencimento de quem vai sabatiná-lo, da mesma forma que havia construído com sucesso para o presidente Jair Bolsonaro”, observa Miriam. 

Para ela, “Aras deve ser lido pelos seus atos. Ele não foi apenas de fora da lista, ele foi contra a lista. Um processo que não é sindicalista, é a forma que se consolidou como a mais eficiente para construir a liderança numa instituição em que os próprios procuradores têm também sua autonomia. Depois de nomeado, ele chamou para a sua equipe o procurador Ailton Benedito, defensor da ditadura, e o procurador Guilherme Schelb, que de tão alinhado com o governo quase foi ministro. Com essas duas nomeações, Aras está dizendo ao presidente que ele não errou ao escolhê-lo”, afirma.

“O nome do presidente não foi citado. Mas é dele que se falava naquele plenário. Ele comanda uma sucessão de ameaças diárias. A cada dia uma nova fissura, uma política que fere um direito fundamental, mais um rasgo na Constituição”, completa. 

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