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Monark nada sofreu enquanto atacava os negros sistematicamente, alerta advogada Sheila de Carvalho

“Enquanto era só contra negros, pouca ou nenhuma consequência teve”, destacou na TV 247 a advogada eleita uma das pessoas negras mais influentes do mundo

Sheila de Carvalho, Monark (Foto: Divulgação | Reprodução/YouTube)

247 - As declarações do ex-apresentador do Flow Podcast Monark em defesa de um partido nazista no Brasil causaram grande agitação no país, mas antes deste episódio ele já tinha feito declarações - tão chocantes quanto - sobre racismo, mas que não tiveram a mesma atenção. Foi isto que alertou, em entrevista à TV 247, a advogada Sheila de Carvalho, uma das lideranças do Grupo Prerrogativas e da Coalizão Negra por Direitos e coordenadora de direitos humanos no Instituto Ethos e da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP. Ela foi eleita pela ONU (Organização das Nações Unidas) uma das pessoas negras mais influentes do mundo em 2020.

“Monark foi racista em uma série de situações, dá para fazer uma lista de situações no Flow, a ponto de ele dizer que ‘racismo é só uma opinião, racismo não é crime’. Em várias situações ele defendeu a escravidão, em várias situações a klu-klux-klan. E quando ele fez essas alegações absolutamente nada aconteceu. Nenhum patrocinador saiu, nenhuma pessoa de direita ou esquerda pediu para tirar do ar o podcast que tinha feito e ele não teve nenhuma consequência. Eu fico muito feliz que agora, passando todo limite da civilidade, que ele tenha sofrido algum tipo de consequência por um ato tão abominável”, disse Sheila de Carvalho. 

Ela destacou que não se pode tolerar o racismo na mesma medida em que não se tolera o nazismo. “A questão é que não podemos tolerar a violência contra grupos étnicos que estão na base da sociedade, que é o caso dos negros, porque ela não nos diz respeito. Foi isso que as pessoas fizeram; enquanto era só uma questão de racismo contra negros, pouca consequência ou nenhuma consequência teve, exceto pessoas negras comentando e protestando. Quando ele mexeu com um grupo que não está na base da pirâmide social brasileira que as coisas começaram a acontecer”.

Segundo a advogada, o nazismo não é um movimento exclusivamente contra os judeus, ao contrário do senso comum: “O nazismo é um projeto de extermínio e  engloba uma série de violências contra a existência do próximo e não apenas contra os judeus: também contra negros, LGBTQI+, ciganos, pessoas com deficiência, diferentes etnias e povos. Aqui no Brasil a gente não trata o nazismo assim, como um projeto mais amplo que a violência contra os judeus. É um projeto de extermínio contra todos os diferentes”.

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