Moraes vota para tornar Malafaia réu por ofensas a generais
Ministro do STF aceita denúncia da PGR após pastor chamar militares de “frouxos” em ato na avenida Paulista; julgamento ocorre no plenário virtual da corte
247 - O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira (6) para aceitar a denúncia contra o pastor Silas Malafaia e torná-lo réu pelos crimes de calúnia, injúria e difamação. A acusação se refere a declarações feitas durante uma manifestação política em abril de 2025, quando o líder religioso chamou generais do Exército de “frouxos”. As informações foram divulgadas pela Folha de S.Paulo
O julgamento ocorre no plenário virtual do STF, modelo em que não há debate entre os ministros e os votos são depositados eletronicamente. Moraes é o relator do caso e foi o único a votar até a publicação desta reportagem. Se os demais integrantes da Primeira Turma acompanharem o voto, será aberta uma ação penal para julgar se Malafaia é culpado
A denúncia foi apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em dezembro de 2025, após representação do comandante do Exército, o general Tomás Paiva. O caso tem origem em um discurso feito por Malafaia durante um ato realizado na avenida Paulista convocado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em defesa da anistia aos envolvidos nos ataques de Ataques de 8 de janeiro de 2023
Na ocasião, o pastor criticou o Alto Comando do Exército sem citar nomes. Do alto de um carro de som, afirmou: “Cadê esses generais de quatro estrelas, do Alto Comando do Exército? Cambada de frouxos, cambada de covardes, cambada de omissos. Vocês não honram a farda que vestem. Não é para dar golpe, não, é para marcar posição”
Em seu voto, Moraes afirmou que a denúncia descreve “detalhadamente” as ofensas e indicou que as declarações podem configurar injúria e calúnia. Segundo o ministro, o pastor teria demonstrado “vontade livre e consciente” de imputar crime aos militares e as falas foram feitas diante de milhares de pessoas e divulgadas nas redes sociais
À Folha, Malafaia afirmou ser vítima de “perseguição” e questionou a legitimidade do ministro para julgá-lo. “Que moral esse cara tem para julgar alguém?”, disse. Ele também declarou: “Nenhuma, ele [Moraes] tem que ser afastado imediatamente e tomar um impeachment. Estão aí os crimes dele que estão sendo expostos do seu relacionamento com [Daniel] Vorcaro [dono do Master] e da grana milionária que a mulher dele ganhou para comprar o poder e a influência dele. Isso é uma vergonha”
O pastor também contestou o envio do caso ao STF pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet. “O que tem a ver liberdade de expressão numa manifestação com inquérito de fake news? Esse é o jogo, é o conluio entre eles. [Gonet] Mandou para Alexandre de Moraes, para Alexandre de Moraes me denunciar por calúnia, injúria e difamação. Eu não tenho prerrogativa de função no STF, eu não tenho foro”, afirmou Malafaia