Moro e Dallagnol transformaram Lava Jato em produto para ganhar dinheiro, diz Hideo

O professor de Direito e criminalista Fernando Hideo conversou com a TV 247 sobre os diálogos da Vaza Jato que revelaram uma articulação do procurador Deltan Dallagnol e outros procuradores da Lava Jato para lucrar com a exposição midiática da operação ; “Eles queriam criar um produto. A luta contra a corrupção era simplesmente um produto com que eles iriam ganhar dinheiro”, afirmou; assista

247 - O professor da Escola Paulista de Direito e criminalista, Fernando Hideo, em entrevista ao programa Estado de Direito, da TV 247, falou sobre as condutas do ex-juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, e do procurador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, reveladas pelo Intercept. Hideo afirmou que as mensagens trocadas entre Moro e os procuradores evidenciaram que eles transformaram a suposta luta de combate à corrupção em um produto com a finalidade de ganhar dinheiro.

O advogado ressaltou que a espetacularização midiática da Lava Jato foi feita em benefício dos seus agentes e citou como exemplo o diálogo em que Dallagnol pede a Moro verba da 13ª Vara Federal de Curitiba para fazer anúncios. “O que a gente tem que observar disso tudo é o tamanho da gravidade da conduta desses procuradores. Como a Lava Jato enganou tanta gente com esse slogan de luta contra a corrupção quando esses diálogos revelam que eles queriam benefício próprio, queriam ganhar dinheiro”, destaca. 

Hideo lembra que as mensagens mostram que o Dallagnol chegou no Sérgio Moro e perguntou se não teria como usar a verba da 13ª Vara Federal para fazer propaganda na TV. “Verba da Vara não é para isso, não existe nenhuma hipótese da verba ser usada para fazer marketing. Eles queriam desviar o destino da grana para fazer anúncio posando de super-heróis contra a corrupção”, enfatiza.

Hideo afirmou que a articulação de Dallagnol para criar uma empresa no nome da esposa para receber o dinheiro oriundo de palestras também é outra conduta que revela o desvio de função e o interesse em lucrar. “Depois de criar essa fantasia eles queriam usá-la para lucrar, para botar dinheiro no bolso dando palestras e cobrando R$ 30 mil. Para não ficar muito chato eles pretendiam abrir empresas no nome das esposas para a empresa receber o dinheiro. Quando os outros fazem isso eles dizem que é laranja”, lembrou.  

Investigação pelo CNMP

O professor disse que as mensagens não deixam dúvida de que a Lava Jato tornou a luta contra a corrupção num produto para gerar lucro pessoal. “A gente, há muito tempo, vem denunciando isso. Desde antes das mensagens do Intercept, mas agora fica escancarado. Esses caras queriam criar um produto, a luta pela corrupção era simplesmente um produto com que eles iriam ganhar dinheiro. Isso precisa sim ser apurado em todas as instâncias”, defendeu o professor, reforçando a necessidade de abertura de inquérito pelo Conselho Nacional do Ministério Público e outros órgãos do Judiciário.

Fernando Hideo também elencou algumas das ilegalidades cometidas por Moro e reveladas pela Vaza Jato. “Isso foi em uma escalada: primeiro revelou-se que não era um juiz imparcial, um juiz que age parcialmente; depois mostrou que era pior: um juiz que age em conluio com a acusação; depois mostrou que não só agia em conluio, mas é o chefe da investigação, escolhe quando tem que soltar fase da investigação, escolhe o procurador que vai estar na audiência em que ele é juiz”.

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