Morre Carlos Guilherme Mota, nome central da historiografia
Vencedor do Machado de Assis, historiador deixa legado na universidade e na vida intelectual brasileira
247 - O historiador Carlos Guilherme Mota, professor emérito da USP e vencedor do Prêmio Machado de Assis, morreu aos 85 anos em São Paulo, deixando uma obra marcante sobre a cultura brasileira, a história do Brasil e a formação do pensamento crítico nacional, as informações são do jornal Estado de S.Paulo.
A morte de Carlos Guilherme Mota foi confirmada por sua filha à Editora 34, casa pela qual o historiador publicou parte de sua produção intelectual. O velório será realizado nesta quinta-feira, 21, das 9h às 15h, no Funeral Home, no bairro da Bela Vista, em São Paulo.
A Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo lamentou a morte do professor. Em manifestação sobre a perda, a FFLCH afirmou ter recebido a notícia “com pesar”.
Nascido em São Paulo, em 1941, Carlos Guilherme Mota construiu uma trajetória de destaque no meio acadêmico brasileiro. Foi professor titular de História Contemporânea da FFLCH-USP e também lecionou História da Cultura na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Reconhecido como um dos nomes importantes da historiografia brasileira, Mota reuniu em sua obra reflexões sobre cultura, política, história intelectual e formação social do País. Entre seus livros estão A Idéia de Revolução no Brasil e Outras Idéias, 1789-1799: a Revolução Francesa, História do Brasil e Ideologia da Cultura Brasileira (1933-1974).
Em Ideologia da Cultura Brasileira, uma de suas obras mais conhecidas, o historiador examinou caminhos de constituição do pensamento crítico no Brasil. O livro parte de autores como Mário de Andrade e Caio Prado Jr. e avança até textos de Antonio Candido e Ferreira Gullar, em uma leitura ampla sobre a cultura e a vida intelectual brasileira.
Carlos Guilherme Mota também assinou, ao lado do historiador Fernando Novais, morto em abril aos 93 anos, o livro A Independência Política do Brasil. A parceria reuniu dois pesquisadores de grande influência na interpretação da história nacional.
Além da atividade como professor e autor, Mota teve papel relevante na criação e na direção de instituições acadêmicas e culturais. Foi fundador e primeiro diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP, entre 1986 e 1988, e dirigiu a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin em 2014.
O historiador também esteve entre os criadores do Memorial da América Latina, em São Paulo. Sua trajetória combinou produção intelectual, atuação universitária e participação em projetos institucionais voltados à preservação, ao debate e à difusão da cultura brasileira.
