Mortes com jet skis apressam leis mais duras

Em So Paulo, Prefeitura j visa restringir e, em alguns locais, at proibir a circulao dos veculos; a Marinha tambm tornou mais rgidas as regras para pilotar a embarcao; tragdias recentes ocorreram na represa Billings, em Bertioga e no Rio Grande do Sul, deixando quatro mortes, sendo duas de crianas

Mortes com jet skis apressam leis mais duras
Mortes com jet skis apressam leis mais duras (Foto: DIVULGAÇÃO)

247 – Em menos de um mês, três acidentes envolvendo jet skis deixaram quatro pessoas mortas, entre elas duas crianças, de três e nove anos de idade. Pelo menos nesses dois casos, houve diversas irregularidades no uso das embarcações, como falta de habilitação, veículo não registrado na Capitania dos Portos, pilotagem por um menor de idade e a proximidade da máquina na praia, de onde é preciso manter uma distância mínima de 200 metros por medidas de segurança.

A fim de diminuir o número de acidentes com jet skis, a Prefeitura de São Paulo já visa alterar as regras que permitem o uso do veículo em represas da cidade. Motivadas pelas mortes recentes, as mudanças envolvem delimitação e, em alguns locais, até a proibição da circulação de jet skis. Na semana passada, o prefeito Gilberto Kassab se reuniu com o comandante do 8º Distrito Naval, vice-almirante Luiz Guilherme Sá de Gusmão, para a definição de algumas dessas novas regras e, nos próximos dias, será realizado o primeiro encontro técnico para tratar do tema.

A Marinha do Brasil também decidiu mudar algumas de suas regras, tornando mais rígida a aquisição de habilitação para pilotar embarcações aquáticas. Desta vez, porém, as alterações foram definidas pela Força apenas por segurança, antes de ocorreram as tragédias. Em vigor a partir de 2 de julho deste ano, as novas regras incluem a necessidade de quatro horas de aulas práticas e uma carteira específica, chamada motonauta – diferente da antiga carta arrais – para o caso do jet ski. A fim de que as mudanças na legislação sejam cumpridas, a Capitania dos Portos do Estado de São Paulo informa que a fiscalização será ainda mais apertada entre a Riviera de São Lourenço e o litoral sul de São Paulo, em Bertioga, onde Grazielly morreu.

Segundo a Capitania dos Portos, para pilotar um jet ski é preciso ter no mínimo 18 anos, apresentar atestado médico que comprove o bom estado psicofísico do candidato, realizar um curso teórico, ser aprovado em uma prova de 40 questões de múltipla escolha e, a partir de julho, ter quatro horas de aulas práticas. Porém, no acidente que envolveu a garota de três anos, o piloto era menor de idade e dirigia a embarcação tão perto da praia que atingiu Grazielly sentada na areia, fora do mar. O pai de Mitchell Guilherme Pereira Carvalho, de nove anos, dirigia sem habilitação na represa Billings, na Grande São Paulo, e carregava o filho e mais um sobrinho de 14 anos em uma boia – prática chamada de reboque – quando, em uma curva, o menino bateu a cabeça em um poste e não resistiu à pancada.

“O jet ski não é uma embarcação que permite nenhum reboque, principalmente em situações como esta que acabou ocorrendo. Já foi checado que a pessoa não era habilitada e não só praticando uma atividade irregular, como o reboque da boia, em um local que era cheio de obstáculos, uma vez que veio a colidir com o pilar da ponte, levando ao falecimento da criança”, disse o capitão dos portos Gerson Luiz Rodrigues, em entrevista concedida à TV Tribuna.

Ainda não há detalhes sobre o terceiro acidente, ocorrido no último sábado na Barra do São Pedro, em Maquiné, Rio Grande do Sul, onde dois homens morreram: o piloto do jet ski, Rudmar Muller, de 52 anos, e o jovem de 22 anos Carlos Rodrigues de Camargo Neto, que pescava na margem oposta e pulou na água para tentar salvar Muller, mas se afogou. A Capitania dos Portos irá instaurar inquérito para verificar se o piloto tinha habilitação e em qual velocidade estava o jet ski.

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