Mortes no frio: toleramos vidas pobres desde que não façam barulho ao sair, diz Sakamoto

O jornalista Leonardo Sakamoto destaca em seu blog que caso sejam registradas mortes em decorrência das baixas temperaturas em algumas regiões do país, isto "terá sido mera consequência uma vez que não se morre de frio, mas de falta de políticas públicas ou de especulação imobiliária", avalia; "A verdade é que somos tolerantes com vidas que acreditamos não valerem nada. Contando que elas não atrapalhem esteticamente a realidade. E não façam barulho ao sair", ressalta

Mortes no frio: toleramos vidas pobres desde que não façam barulho ao sair, diz Sakamoto
Mortes no frio: toleramos vidas pobres desde que não façam barulho ao sair, diz Sakamoto

247 - O jornalista Leonardo Sakamoto destaca em seu blog que com "as baixas temperaturas ostentadas pelos termômetros em boa parte do país, é bem provável que alguém amanheça sem vida, nas ruas de alguma cidade, nesta quarta. A hipotermia terá sido mera consequência uma vez que não se morre de frio, mas de falta de políticas públicas ou de especulação imobiliária. Quem tenta mudar esse cenário, acaba também ameaçado de morte, como vem ocorrendo com o padre Júlio Lancelotti, da Pastoral do Povo de Rua".

Para ele, não se morre por ''"desastres naturais'', como as chuvas ou as secas que castigam outras partes do país. Às mortes por falta ou excesso de água deveríamos dar o nome de ''desastres políticos e administrativos'' – pois já há tecnologia e protocolos para prever, reduzir e evitar o sofrimento. Mas por irresponsabilidade e incompetência de gestores, pessoas são levadas pela correnteza ou soterradas em deslizamentos".

Sakamoto ressalta que um bom exemplo está na política de combate ao trabalho análogo à escravidão, "criada pelo governo do PSDB e transformada em referência internacional pelo governo do PT, para desespero de quem ama a ultrapolarização". O detalhe é que "a prioridade em libertar pessoas, infelizmente, deixou de existir quando o governo federal tentou dificultar essas operações no ano passado".

"A verdade é que somos tolerantes com vidas que acreditamos não valerem nada. Contando que elas não atrapalhem esteticamente a realidade. E não façam barulho ao sair", avalia.

Leia a íntegra no Blog do Sakamoto. 

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