Mourão avisa que Brasil não deixará de reconhecer direito dos palestinos a um Estado
Na bombástica entrevista que concedeu ao jornal O Globo, em que faz claras demarcações com o presidente Jair Bolsonaro, o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, fala entre outros assuntos sobre temas sensíveis da política externa; a maior divergência, uma flagrante contradição com o que Bolsonaro e seu chanceler, Ernesto Araújo, pregam, gira em torno da transferência da embaixada brasileira em Israel, de Tel-Aviv para Jerusalém
247 - Na bombástica entrevista que concedeu ao jornal O Globo, em que faz claras demarcações com o presidente Jair Bolsonaro, o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, fala entre outros assuntos sobre temas sensíveis da política externa.
A maior divergência, uma flagrante contradição com o que Bolsonaro e seu chanceler, Ernesto Araújo pregam, gira em torno da transferência da embaixada brasileira em Israel, de Tel-Aviv para Jerusalém.
Mourão demonstra sua percepção do desgaste que tal medida poderia acarretar para as relações diplomáticas e comerciais do Brasil com o mundo árabe.
"A partir do momento que o presidente, durante a campanha, disse que poderia mudar a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, isso gera uma série de impactos no mundo árabe. Então eles [os embaixadores] vêm aqui, expõem as ideias deles, e eu ouço".
Mourão opina que pode "cooperar com o presidente para baixar as tensões". Diz que não chegou a conversar com Bolsonaro sobre a transferência da embaixada e faz uma proposta que praticamente retira do presidente e do chanceler a prerrogativa de decidir sobre a questão: "(...) quando tiver que ser tomada uma decisão, tem que juntar um comitê que trate de assuntos internacionais. (...) Não pode ser a decisão do 'eu quero'. O Brasil desde 1947 reconhece a existência de dois Estados lá na região: palestinos e judeus. Jerusalém é a capital das três religiões monoteístas do mundo, é uma encruzilhada do mundo. Então você tem que manter a capital em Tel Aviv ou trocar para Jerusalém. E tem uma solução intermediária, que é a da Austrália, que diz que está em Jerusalém ocidental, porque se tem a ocidental, tem a oriental, que é dos árabes, e é uma solução diplomática. Na hora em que o presidente resolver discutir, essas três linhas de ação terão que ser apresentadas para ele, com vantagens e desvantagens".
Contudo, Mourão explicita que prefere que a embaixada brasileira em Israel fique "onde está". Leia a íntegra.