Movimento negro apresenta pedido de impeachment de Bolsonaro

Peça foi concebida pela Coalizão Negra por Direitos e é assinada por 600 personalidades negras e brancas, como Sueli Carneiro, Vilma Reis, Bianca Santana, Emicida, Douglas Belchior, Silvio de Almeida, Antônio Pitanga, Chico Buarque, Nando Reis e outros

(Foto: Alex Pazuello/Semcom | Divulgação | ABr)
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Igor Carvalho, Brasil da Fato - Pela primeira vez na história, o movimento negro organizado irá pedir o impeachment de um presidente brasileiro. Nesta quarta-feira (12), a Coalizão Negra por Direitos apresentará, em Brasília, um documento exigindo a cassação de Jair Messias Bolsonaro. 

O pedido de impeachment é assinado por 600 entidades e diversas personalidades, negras e brancas. Sueli Carneiro, Vilma Reis, Bianca Santana, Emicida, Dexter, Salgadinho, Rappin’Hood, Chico Buarque, Nando Reis, Douglas Belchior, Silvio de Almeida, Antônio Pitanga, Fábio Porchat, Antonio Tabet, Fernando Meirelles, Aranha, Sidarta Ribeiro e Bel Coelho, entre outros, apoiam a iniciativa. 

No documento, a Coalizão Negra por Direitos afirma que pede o impeachment de Bolsonaro “pelos crimes de responsabilidade por ele praticados e de como estes agravam a política de genocídio contra a população negra”. 

Práticas contra a vida

“Nosso pedido de impedimento aponta como crimes de responsabilidade práticas do presidente Jair Bolsonaro que atentam, objetivamente, contra a vida da população negra e suas comunidades”, afirma o coletivo do movimento negro no documento, que aponta os erros do presidente na condução da crise do coronavírus.

“Especialmente nos atos do presidente contra a saúde pública no contexto da pandemia de covid-19, a insuficiência das medidas emergenciais que deveriam estar cautelosamente voltadas às famílias negras, empregadas domésticas, trabalhadores informais negros, comunidades quilombolas, populações rurais negras, populações negras de nossas favelas, periferias e bairros”, destaca o texto.

O Brasil ultrapassou, no último sábado (8), as 100 mil mortes por coronavírus. Nesta segunda-feira (10), segundo dados do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) , há registro de mais de 3 milhões de pessoas contaminadas no país e 101.752 óbitos. Pela terceira semana consecutiva, o país registrou mais de 300 mil casos de covid-19.

Maia e o impeachment

O pedido de impeachment protocolado pela Coalizão Negra por Direitos deverá entrar na fila de outros 50 similares que também pedem a saída de Bolsonaro da presidência. Até agora, Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, trancou todos.

Em entrevista na última segunda-feira (9), Maia não escondeu a pouca disposição em colocar qualquer um dos pedidos de impeachment na pauta da Câmara dos Deputados. 

“Nós estamos no meio de uma pandemia, e qualquer decisão agora leva um recurso ao plenário. Nós vamos ficar discutindo impeachment sem nenhuma motivação para isso. Eu não estou usando isso para ameaçar, não é do meu feitio. O presidente Bolsonaro sabe, que desses que estão colocados, eu não vejo nenhum tipo de crime atribuído ao presidente”, afirmou. 

Fundador e um dos representantes da Coalizão Negra por Direitos, Douglas Belchior acredita que Maia pode pautar o pedido da entidade. De acordo com o militante, o presidente da Câmara dos Deputados coloca sua biografia e seu trabalho à frente da Casa em risco ao proteger Bolsonaro “neste momento em que o país enfrenta a pior crise sanitária de sua história.” 

“Maia se coloca como defensor da democracia e da independência dos poderes, mas até agora só demonstrou fidelidade à política econômica ultraliberal de Guedes. Em nenhum momento foi decisivo em dar um basta nas atrocidades de Bolsonaro. Com o pedido de impeachment apresentado pela Coalizão Negra por Direitos, representação política da maioria da população brasileira, damos ao Maia uma chance de entrar para a história como defensor da democracia e da vida, e não como cúmplice de um genocídio, promovido pelo pior governo da história republicana no Brasil”, afirma.

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