MPF denuncia grupo por lavar R$ 262 milhões com rifas ilegais
Investigação aponta esquema com drogas, apostas e envio ilegal de recursos ao exterior, com uso de empresas, criptoativos e contas para ocultar origem
247 - O Ministério Público Federal (MPF) denunciou 13 pessoas acusadas de integrar um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 262 milhões ao longo de 2025. As informações foram divulgadas pela Folha de S.Paulo, com base nos detalhes da segunda fase da operação Narco Azimut.
De acordo com o MPF, o grupo atuava na ocultação de recursos provenientes de atividades ilícitas, incluindo tráfico internacional de drogas, rifas ilegais e apostas em plataformas não regulamentadas no Brasil. Caso a Justiça Federal aceite a denúncia, os investigados poderão responder por crimes como associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
O processo tramita sob sigilo, e os nomes dos denunciados não foram revelados, o que impediu o contato com as respectivas defesas. A apuração é resultado de desdobramentos das operações Narco Vela, Narco Bet e da primeira fase da Narco Azimut, iniciada em janeiro deste ano, indicando a existência de uma estrutura mais ampla e organizada para ocultação de recursos ilícitos.
As investigações apontam que o esquema contava com a participação de empresários, doleiros, influenciadores digitais e pessoas ligadas ao meio musical. Nesta quarta-feira (15), a Polícia Federal avançou nas apurações com a deflagração da operação Narco Fluxo, voltada ao núcleo financeiro da organização. Entre os alvos dessa etapa estão MC Ryan e MC Poze do Rodo, que foram presos.
Segundo o Ministério Público, os 13 denunciados atuavam de forma coordenada, com divisão de tarefas e estratégias específicas para dificultar o rastreamento das transações financeiras. Entre as práticas identificadas estão a fragmentação de operações, a distribuição de valores em diversas contas e o uso de pessoas físicas e jurídicas como intermediárias.
A Procuradoria também destacou o uso de mecanismos informais de compensação e a movimentação de recursos tanto em espécie quanto por meio de transferências bancárias, Pix e operações com criptoativos. Parte do dinheiro, conforme as investigações, teria sido enviada ao exterior sem passar pelos mecanismos de controle oficiais.
Esta é a 12ª denúncia apresentada no âmbito das investigações relacionadas ao esquema. As provas foram reunidas após o cumprimento de mandados de busca e apreensão na segunda fase da operação, realizada em março. A ação contou com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado em São Paulo.
Na ocasião, a Justiça Federal autorizou 26 mandados de busca e apreensão e de prisão temporária, além do bloqueio de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 934 milhões. Também foram impostas restrições societárias, como a proibição de movimentação empresarial e transferência de patrimônio.
As autoridades afirmam que os envolvidos utilizavam empresas e terceiros para dar aparência de legalidade ao dinheiro, realizando operações financeiras de alto valor e utilizando criptoativos como forma de ocultar a origem ilícita dos recursos.