MPF investiga massacre de indígenas no Amazonas

Pelo menos 10 indígenas teriam sido mortos em um massacre promovido por garimpeiros no Vale do Javari, no Amazonas, segundo relatos feitos a Felipe Milanez, colunista da revista Carta Capital; além da ação dos garimpeiros, a falta de ação da Funai deixa essas populações ainda mais desprotegidas - das doze Frentes da Funai que existiam até pouco tempo atrás, cinco foram fechadas esse ano; o senador Romero Jucá tem influência direta nesse desmonte da Funai: o peemedebista é quem articula as nomeações no órgão 

Índios participam da CPI da Funai e do Incra. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Índios participam da CPI da Funai e do Incra. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil (Foto: Charles Nisz)

Carta Capital - O Ministério Público Federal no Amazonas está investigando uma denúncia de um massacre de indígenas, incluindo mulheres e crianças, de uma tribo isolada no vale do Javari. A tribo pode ser sido assassinada e esquartejada por garimpeiros ilegais.Não se sabe qual a etnia dos indígenas mortos, mas há suspeita de que podem ser os "flecheiros", dada as descrições e a localização, informa Felipe Milanez, colunista da revista Carta Capital.

Relatos do massacre começaram a chegar no município amazonense de São Paulo de Olivença, na região da tríplice fronteira com o Peru e a Colômbia, em agosto. De acordo com as investigações , os assassinos ainda teriam cortado os corpos dos indígenas mortos ao meio e jogado no rio, como desova, para que afundassem, acelerando a decomposição, de forma dificultar as investigações.

A atividade de garimpo nessa região é praticamente toda ilegal, com ouro ilegal extraído em invasões no Vale do Javari movimentando a economia de São Paulo de Olivença. Garimpeiros constituem uma poderosa força política local. Não se sabe quantos índios podem ter sido mortos, mas suspeita-se que tenham sido mais do que dez pessoas. Além de partir os corpos para desovar no rio, os assassinos teriam pego “troféus” de suas vítimas, roubando alguns dos pertences.

Após relatos do caso chegarem ao MPF, foi desencadeada uma operação em conjunto com o Exército e o Ibama para combater a atividade garimpeira no rio Jandiatuba. Nessa operação foi confirmada a presença maciça de garimpeiros no interior dos territórios onde vivem os isolados. Pelo menos quatro das 16 dragas de garimpo foram destruídas.

Das doze Frentes da Funai que existiam até pouco tempo atrás, cinco foram fechadas esse ano, expondo ainda mais povos isolados ao risco do genocídio. Problemas políticos na gestão anterior da Coordenação Geral de Índios Isolados e de Recente Contato, da Funai, também podem ter contribuído para a desestruturação do sistema de proteção do Vale do Javari.

O papel de Jucá
Em meio a esse caos, essa área específica da Funai, que deveria proteger povos que vivem no Vale do Javari da invasão de garimpeiros, enfrenta a maior pressão política desde que foi criada, em 1987: o senador Romero Jucá (PMDB-RR) estaria articulando nomeações para a área. A estratégia política de Jucá é exonerar a atual Coordenadora da CGIIRC, que possui perfil técnico, para nomear uma indicada sua, de Roraima, que tem em seu currículo o trabalho com turismo. 

Jucá foi acusado pelo líder Yanomami Davi Kopenawa de incentivar o garimpo na terra de seu povo, o que causa uma preocupação ainda maior diante da notícia deste massacre no Jandiatuba. Estas nomeações em curso estão sob a égide da Diretoria de Proteção Territorial, cuja titular, Azelene Kaingang, foi indicada pela bancada ruralista quando Osmar Serraglio era Ministro da Justiça. Há uma dança das cadeiras em marcha na Funai, com indicações políticas que preocupam servidores e lideranças indígenas por servir não aos povos indígenas, mas apos interesses de  quem indica.

Confira a íntegra no site de Carta Capital

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