MPF recomenda criação de memorial em homenagem a Bruno e Dom no Vale do Javari
Indigenista brasileiro e jornalista britânico foram assassinados em 2022, durante viagem na Amazônia; pedido para criar memorial foi encaminhado ao governo
247 - O Ministério Público Federal (MPF) recomendou ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a criação de um memorial em homenagem ao indigenista Bruno Pereira e ao jornalista britânico Dom Phillips. Os dois foram assassinados em junho de 2022 no Vale do Javari, no oeste do Amazonas. As informações são do SBT News.
A recomendação foi apresentada em 29 de abril e estabelece prazo de 45 dias para que o governo federal elabore um planejamento estrutural da homenagem. Segundo o MPF, o memorial deverá ser construído em um local definido pelos familiares das vítimas.
De acordo com a ação, a execução do projeto ficará sob responsabilidade da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), com apoio do Comando Militar da Amazônia e do 9º Distrito Naval. O MPF também solicitou que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) dê início ao processo para reconhecer a área como patrimônio cultural brasileiro. O órgão aponta a relevância "espiritual, simbólica e sociocultural" do local.
A iniciativa foi protocolada em conjunto com a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), a Artigo 19 Brasil, o Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (Opi), o Instituto Dom Phillips e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).
Bruno Pereira e Dom Phillips foram mortos nas proximidades de Atalaia do Norte (AM). O jornalista britânico realizava pesquisas para o livro "How to Save the Amazon?" (Como salvar a Amazônia?). Bruno acompanhava o jornalista durante visitas e entrevistas com lideranças indígenas no Vale do Javari. Os dois viajavam de lancha pelo rio Itacoaí quando ocorreu o crime.
Segundo as investigações, Bruno Pereira discutiu com Amarildo da Costa Oliveira e Jefferson da Silva Lima, apontados como envolvidos em atividades irregulares de pesca na região. A motivação do assassinato teria sido o pedido feito pelo indigenista para que Dom fotografasse a embarcação dos suspeitos. As apurações também apontaram Rubén Dário, conhecido como "Côlombia", como mandante do crime e líder de uma organização de pesca ilegal que atuava no território.
Bruno Pereira foi morto com três disparos de munição de caça, sendo um pelas costas. Dom Phillips foi assassinado com um tiro no tórax. Os corpos foram esquartejados, queimados e enterrados, enquanto a embarcação utilizada pelas vítimas foi afundada com sacos de areia.
O caso teve repercussão internacional. Em fevereiro, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) decidiu transferir de Tabatinga para Manaus o julgamento de Amarildo da Costa Oliveira e Jefferson da Silva Lima, após pedido do MPF para acelerar a tramitação do processo.


