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Múcio faz giro pela América Latina, reforça cooperação militar e deve incluir Venezuela

Ministro da Defesa busca ampliar diálogo regional, reduzir tensões com a Argentina e manter canais abertos com os Estados Unidos

Brasília (DF) - 03/01/2026 – Ministro da Defesa, José Múcio, fala da invasão americana à Venezuela durante coletiva de imprensa (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
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247 - O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, iniciou uma série de viagens pela América Latina com o objetivo de fortalecer a cooperação militar e ampliar a integração regional. Segundo informações publicadas pela colunista Janaína Figueiredo, do UOL, a agenda do ministro deve incluir também a Venezuela, em meio às movimentações diplomáticas e estratégicas do governo brasileiro no continente.

Durante passagem por Buenos Aires, Múcio levou ao governo de Javier Milei uma mensagem de aproximação institucional e defesa de relações estáveis entre os países da região, independentemente de disputas políticas ou mudanças eleitorais. “Os políticos têm mandatos, os militares têm carreira”, afirmou o ministro na capital argentina.

A visita ocorreu em um contexto de desconforto do governo argentino com recentes acordos firmados entre Brasil e Reino Unido na área de defesa. De acordo com fontes oficiais ouvidas pela reportagem do UOL, a tensão histórica entre argentinos e britânicos em torno da soberania das Ilhas Malvinas continua elevada e influenciou o ambiente das conversas bilaterais.

Apesar disso, a atuação de Múcio ajudou a reduzir resistências. Integrantes do governo argentino avaliaram positivamente os encontros e já discutem a possibilidade de adquirir produtos da indústria de defesa brasileira. Ao fim das reuniões, o ministro entregou às autoridades argentinas o catálogo de equipamentos e produtos militares lançado pelo Brasil em março deste ano, material que também deverá ser apresentado aos demais países da turnê sul-americana.

Múcio também promoveu um encontro entre empresários do setor de defesa do Brasil e da Argentina, defendendo maior integração entre os vizinhos. “Temos de exercitar melhor nossa vizinhança, e ter relações imunes aos episódios eleitorais”, declarou. Em outro momento, reforçou a importância da proximidade regional: “Não temos de ter vergonha de sermos próximos e amigos”.

Questionado sobre a forte aproximação entre o governo argentino e os Estados Unidos, atualmente presididos por Donald Trump, Múcio evitou alimentar qualquer sinal de tensão diplomática. “Cada um pode ser amigo de quem quiser”, respondeu a uma jornalista argentina.

O ministro também negou que as conversas em Buenos Aires tenham abordado ações conjuntas de combate ao crime organizado. O tema ganhou relevância diante das pressões de Washington para que o Brasil acompanhe uma possível classificação de facções criminosas, como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas.

Ao comentar o assunto, Múcio adotou um tom firme e direto: “Nós cuidamos de nossos bandidos”.

Nos bastidores, porém, o ministro tem atuado para preservar canais de diálogo com os Estados Unidos, especialmente no campo militar. Mesmo após o chamado “tarifaço” imposto pelo governo Trump ao Brasil em 2025, Múcio orientou a manutenção de agendas e compromissos de militares brasileiros em território americano.

Segundo fontes oficiais citadas pela reportagem, ao ser consultado sobre a conveniência de viagens aos Estados Unidos naquele momento de tensão bilateral, o ministro defendeu que os compromissos fossem mantidos, em nome da continuidade das relações institucionais entre as Forças Armadas dos dois países.