Nabil Bonduki: a esquerda precisa construir sua própria agenda de reformas
Em artigo publicado na Folha de S. Paulo, o urbanista Nabil Bonduki avalia que não basta criticar as reformas proposta pelo 'mercado', mas "um projeto progressista requer uma agenda própria de reformas estruturais, amplamente debatidas, para destravar o País. O mundo do trabalho está em acelerada transformação, com mais autonomização e flexibilidade. As garantias sociais não podem se limitar ao emprego formal, pois o trabalho informal e flexível é irreversível, requerendo regulamentação e direitos", diz
247 - Em artigo publicado na Folha de S. Paulo, nesta terça-feira (9), o urbanista Nabil Bonduki avalia que "debater uma agenda que rompa com a empobrecida polarização que impera desde 2014, entre petistas e antipetistas; entre golpistas e democratas; entre uma direita limitada e uma esquerda envelhecida, é fundamental".
"A necessidade de reformas é real. Um projeto progressista requer uma agenda própria de reformas estruturais, amplamente debatidas, para destravar o País. O mundo do trabalho está em acelerada transformação, com mais autonomização e flexibilidade. As garantias sociais não podem se limitar ao emprego formal, pois o trabalho informal e flexível é irreversível, requerendo regulamentação e direitos", diz.
De acordo com Bonduki, "inovações na legislação trabalhista são essenciais, mas não as impostas por Temer. A renda básica universal, sempre tratada com desdém pela esquerda, deve ser pensada com seriedade, como está ocorrendo em todo o mundo".
"Inovações na legislação trabalhista são essenciais, mas não as impostas por Temer. A renda básica universal, sempre tratada com desdém pela esquerda, deve ser pensada com seriedade, como está ocorrendo em todo o mundo. Uma proposta para a previdência é essencial, mas não a que está aí. Ela prejudica os mais vulneráveis, mantendo os privilégios de juízes, militares, promotores e outros setores do alto funcionalismo. O envelhecimento não pode ser ignorado, mas a idade mínima precisa considerar as diferentes naturezas de trabalho", diz.
Ainda segundo ele, "o equilíbrio fiscal requer uma reforma de Estado, com eficiência nos gastos, mas sem cortar avanços sociais, e uma reforma tributária mais progressiva, que tribute heranças, fortunas e rendas elevadas". "Reformas são indispensáveis e a esquerda precisa debatê-las sem preconceitos, integradas a um novo projeto de desenvolvimento sustentável que incorpore as pautas dos movimentos ambientalistas, culturais e identitários", continua.
"Os setores progressistas precisam sair da zona de conforto, de mera oposição às reformas propostas pelo 'mercado', assumidas pelo ilegítimo governo Temer, para uma postura propositiva que não ignore os problemas do país e apresente alternativas, com competência e responsabilidade".