Nem parece traficante

Você se espantou com a entrevista à la Robin Hood do traficante mais encontrado do Rio de Janeiro? Nem eu

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Você se espantou com a entrevista à la Robin Hood do traficante mais encontrado do Rio de Janeiro? Nem eu. Uma semana antes de tentar escapar da Rocinha dento de um porta-malas, um doce Nem, cheio de consciência social e tal, disse à Revista Época que não gosta de bandidos, bebe socialmente, não deixa sua turma usar drogas e que o crime não compensa. Mais: elogiou as qualidades de seu algoz, o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, e defendeu tudo aquilo contra o que suas atitudes advogam.

Parece contraditório, mas só parece. Rei dos foras da lei e príncipe dos camaradas do século 21, Nem cumpriu o protocolo com perfeição. Walter Scott e Alexandre Dumas não teriam feito melhor. É que não tem graça isso de ficar do lado do cara malvado, daí essa história de transformar o Robin Hood em bandido com boas intenções, espécie de precursor do Bolsa Família. Mas você nunca caiu nessa, certo? Lampião também pegava pesado e escapava por essa de defesa dos pobres.

Normal, cada um na sua. A verdade é que sempre foi e sempre será cada um por si. E cada um que tente convencer os outros do contrário. Se um banco pode levar o seu dinheiro dizendo que não é bem assim, que nem parece banco, por que cargas d'água um traficante não teria esse direito? O Nem passa a mão na cabeça e os capangas quebram as pernas que precisam ser quebradas, afinal business is business.

Estará num capítulo qualquer de qualquer livro de auto-ajuda empresarial: o carisma é elemento essencial para o líder. E, para não ser injusto, se o raciocínio vale para quem está do lado de lá, também vale para quem está do lado de cá. Que dizer, afinal, do governador Sérgio Cabral, idealizador do conceito de protesto festivo e promotor da primeira manifestação com área VIP do país, convocada em nome dos royalties perdidos? Nem parece governador.

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