Nicolelis: 'cortar bolsas de pesquisa é amputar as pernas intelectuais do país'

O cientista brasileiro Miguel Nicolelis, um dos mais respeitados do mundo, afirma que o corte de mais de 11 mil bolsas pelo governo Bolsonaro é destruir a pesquisa no país. Ele diz: "cortar bolsas de pesquisa é amputar as pernas intelectuais do país."

247 - O cientista brasileiro Miguel Nicolelis, um dos mais respeitados do mundo, afirma que o corte de mais de 11 mil bolsas pelo governo Bolsonaro é destruir a pesquisa no país. Ele diz: "cortar bolsas de pesquisa é amputar as pernas intelectuais do país." 

A reportagem do blog do Sakamoto destaca que "Nicolelis lidera uma equipe de pesquisadores na Universidade Duke, nos Estados Unidos, com o objetivo de integrar o cérebro humano a máquinas para reabilitar pessoas com paralisia. Publicou, neste ano, resultados dessa pesquisa, que levou duas pessoas a darem 4.580 passos com um dispositivo de estimulação muscular e uma interface entre a máquina e o cérebro. "Aqui novamente as imagens de um feito histórico da balbúrdia da ciência brasileira!", postou na época, em crítica ao ministro Abraham Weintraub, que havia dito que universidades que fazem "balbúrdia" teriam o orçamento reduzido."

Sobre o orçamento das universidades, ele diz: "é uma tragédia. As pessoas não têm ideia do impacto que isso vai ter nas próximas décadas. Projetos científicos não são ligados e desligados do dia para a noite. Quando você ligou, eu acabava de falar com um ex-aluno meu, norte-americano, que é professor e pesquisador, e estava chocado com as notícias que vêm do Brasil. Relaciono-me com gente do mundo inteiro e não há ninguém que não manifeste espanto. A comunidade científica internacional está aturdida com o que está acontecendo em nosso país.

Houve um crescimento surpreendente na produção científica do Brasil entre 2003 e 2012. O país chegou a ficar em 12o lugar em número absoluto de publicações científicas. Em medicina tropical, o Brasil é responsável por 20 a 25% do total de publicações no mundo. A redução no orçamento da pesquisa não apenas estanca projetos em andamento, mas também desestimula a juventude a perseguir essa carreira. Se não há uma base científica funcionando, você renuncia à soberania do seu país. 

Sobre o corte das bolsas, Nicolelis reafirma: "mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos são o exército que executa os experimentos e produzem as teses. Eles são o motor da ciência brasileira. Por isso, essa situação é sempre precedentes. Não consigo lembrar, nos últimos 50 anos, de um país que ceifou sua base científica de forma rápida, dramática e sem justificativa lógica. Porque a economia que está sendo feita é nada comparado com o impacto que isso vai trazer para o futuro do país. A economia dessas bolsas não vai resolver nenhum problema de caixa, há outras áreas que poderiam ser usadas para isso."

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