Nobel da Paz: o que Lula, Greta e Raoni têm em comum

Prêmio Nobel da Paz será anunciado nesta sexta-feira, 11. Há 301 candidatos. Entre eles estão ex-presidente Lula, a ativista sueca Greta Thunberg e o líder indígena caiapó Cacique Raoni. Em comum, os três têm como característica representarem indicações indigestas para Jair Bolsonaro e seus seguidores

Gabriel Valery e Paulo Donizetti de Souza, da RBA - Chega ao fim nesta sexta-feira (11) a expectativa pelo Prêmio Nobel da Paz de 2019. Entre os indicados, figura com destaque o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Preso desde 7 de abril de 2018, Lula acaba de receber o título de Cidadão Honorário de Paris. Nesses 551 dias privado de liberdade em Curitiba, o ex-presidente recebeu visitas de chefes de Estado da Europa e América Latina, e personalidades de diversas nacionalidades.

Entre eles, o Nobel da Paz de 1980, Adolfo Perez Esquivel, artista plástico e intelectual argentino que capitaneou a indicação de Lula ao Nobel de 2019. A candidatura de Lula é resultado de seu trabalho como presidente mais bem avaliado da história recente da República – cujos mandatos resultaram em exclusão do Brasil do Mapa da Fome da ONU, expansão do acesso ao ensino público e crescimento econômico com inclusão social. Sua mera indicação – entre os 301 nomes de todo o planeta – é avaliada como uma vitória por integrantes da campanha por sua liberdade, tendo funcionado como ferramenta internacional de denúncia contra o caráter persecutório político de sua condenação.

Uma das lideranças indígenas mais conhecidas e respeitadas do mundo, o cacique Raoni, brasileiro da etnia Caiapó, é também um dos indicados para a receber a premiação. Além dele, a jovem sueca Greta Thunberg, nome mundialmente conhecido pela promoção da Greve Global pelo Clima, é citada na imprensa ocidental como um dos nomes favoritos ao Nobel da Paz.

Em comum, Lula, Raoni e Greta têm como característica representarem indicações indigestas para o presidente Jair Bolsonaro e seus seguidores. A liderança de Lula é uma pedra no sapato do projeto político representado pelo presidente brasileiro. Não à toa foi excluído da eleição de 2018 pelo atual ministro da Justiça de Bolsonaro, Sergio Moro, que abusou do poder de juiz no processo em que condenou o ex-presidente.

Raoni e Greta tiveram seus nomes disseminados e ovacionados recentemente em Nova York, durante Assembleia Geral da ONU, em que Bolsonaro envergonhou o Brasil no mundo por desdenhar das causas das comunidades indígenas e ambientais que hoje alarmam o planeta.

Imprevisibilidade

Levantamento feito recentemente pela reportagem da RBA mostra que nem sempre os vencedores do Prêmio Nobel da Paz fizeram por merecê-lo, ao passo que em muitas ocasiões, grandes merecedores – como os três citados acima – deixaram de vencer.

A lista de laureados muitas vezes exibe nomes indiscutíveis, como Nelson Mandela, Dalai Lama, Desmond Tutu, Madre Tereza de Calcutá, Martin Luther King Jr, além de instituições como a Fundação das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Cruz Vermelha.. Em outras ocasiões, no entanto, os homenageados – que levam um prêmio de 8 milhões de coroas suecas, algo em torno de US$ 930 mil, ou mais de R$ 3 milhões para casa – não foram unanimidade.

“Se por um lado o Nobel da Paz já foi concedido a figuras como Martin Luther King Jr. (1964), Madre Teresa (1979) e Nelson Mandela (1993), por outro a premiação de 1973 envolveu o premiê norte-americano Henry Kissinger e o vietnamita Lê Đức Thọ, por causa de um cessar-fogo entre o Vietnã do Norte e os Estados Unidos, após anos de guerra”, informa reportagem de Vitor Nuzzi publicada em abril na RBA.

“Para os críticos, Kissinger era o oposto de um pacifista. Já Tho recusou o prêmio, por considerar que a paz não estava consolidada. Dois dos cinco membros do Nobel renunciaram. Houve controvérsia também em 1994, quando os premiados foram Yasser Arafat, Shimon Peres e Yitzhak Rabin, pelos esforços em prol da paz entre Israel e Palestina. Um integrante do Nobel renunciou”, relata o texto.

Vencedores do Nobel 2019

As categorias laureadas são: Física, Química, Economia, Fisiologia ou Medicina, Literatura e Paz.

Há 301 candidatos ao prêmio Nobel da Paz deste ano, sendo 223 pessoas e 78 organizações. O recorde de indicações é de 2016: 376. Os nomes não são divulgados. Segundo o comitê, isso só pode acontecer depois de 50 anos.

O Nobel da Paz é concedido pelo Comitê Norueguês do Nobel e integra o conjunto mais importante de prêmios da humanidade, desde 1901.

Desde segunda-feira (7), o Comitê do Nobel vem divulgando vencedores em diferentes categorias. O primeiro a sair foi o de Medicina, que premiou um trio de cientistas que fez descobertas sobre a atividade genética nas células de acordo com a variação da disponibilidade de oxigênio. Foram eles: Gregg Semenza (EUA), Peter Ratcliffe (Reino Unido) e William Kaelin (EUA). “Descoberta abre caminho para o desenvolvimento de novas estratégias para combater a anemia, o câncer e muitas outras doenças”, disse o Comitê.

Na terça-feira foi a vez do Nobel de Física, que teve duas pesquisas vencedoras. A primeira delas, comandada pelo canadense James Peebles, tem relação com seu amplo estudo no campo da cosmologia física desde os anos 1960. Sua pesquisa sobre a radiação cósmica de fundo em micro-ondas revelou, entre outras coisas, que o universo é composto apenas de 5% de matéria. O restante é formado pelas misteriosas matéria escura e força escura. Já o segundo grupo vencedor da categoria é comandado pelos suíços Michael Mayor e Didier Queloz. Em 1995, eles foram responsáveis por registrar o primeiro exoplaneta que orbita uma estrela similar ao sol.

Ontem foi a vez do Nobel de Química. John B. Goodenough (EUA), M. Stanley Whittingham (EUA) e Akira Yoshino (Japão) foram agraciados pela invenção das baterias recarregáveis de lítio. A inovação foi fruto de uma pesquisa nos anos 1970, que tinha como intenção descobrir alternativas aos combustíveis fósseis. Graças aos pesquisadores, foi possível evoluir diferentes aparelhos, como celulares e até mesmo carros elétricos e dispositivos de armazenagem de energia solar e eólica.

Hoje (10) a escritora polonesa Olga Tokarczuk e o austríaco Peter Handke foram premiados com o Nobel de Literatura de 2018 e 2019, respectivamente, conforme anunciou nesta quinta-feira (10/10) a Academia Sueca. O prêmio a Tokarczuk é referente a 2018, ano em que a academia cancelou a premiação após uma série de escândalos, como informa a edição em português do portal alemão Deustche Welle.

Além do Nobel da Paz a ser conhecido nesta sexta-feira, o de Economia será anunciado na segunda (14).

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