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"Nós não romperíamos relações com os nazistas? Por que não fazer o mesmo com Israel?", questiona Ualid Rabah

Presidente da Federação Árabe Palestina explica por que acredita que o Brasil deve cortar relações com o "estado terrorista de Israel"

Ualid Rabah, Lula e Benjamin Netanyahu (Foto: Pedro França/Agência Senado | Ricardo Stuckert/PR | Jacquelyn Martin/Pool via Reuters)

247 - Presidente da Federação Árabe Palestina, Ualid Rabah voltou a defender que o Brasil rompa relações políticas e diplomáticas com Israel para pressionar o país a cessar o “apartheid” ao qual submeteu os palestinos, que hoje vivem restritos à Faixa de Gaza e em condições degradantes. “Nós não romperíamos relações com a Alemanha nazista? Nós não rompemos relações, ou rebaixamos, com a África do Sul?”, questionou em entrevista à TV 247.

Do ponto de vista econômico, Rabah sustentou que o Brasil não perderia em nada ao romper com Israel. Pelo contrário, até se beneficiaria deste movimento. “Não é verdade que o Brasil tenha uma balança comercial significativa com Israel. Ela é minúscula e ainda por cima é deficitária. Tem sido, em média, de US$ 700 milhões a US$ 1 bilhão deficitária para o Brasil. E não é verdade que os elos empresariais são isso tudo. Elos familiares, pode ser, agora, nós temos aqui uma comunidade alemã infinitamente maior e mais importante para o Brasil. E daí? Nós deixamos de romper com a Alemanha? (...) Israel não tem essa importância toda. Não vejo nenhum problema em romper com Israel. Pelo contrário, pode favorecer o Brasil. O Brasil não tem um só prejuízo rompendo com Israel. Nenhum”.

Ele ainda explicou que sua defesa é por um rompimento temporário. Para Rabah, só não há um movimento maior de isolamento de Israel por conta dos Estados Unidos, que têm aquele país como seu posto avançado no Oriente Médio. "Esse não é um rompimento definitivo. É um rompimento para esse momento, para forçar que o apartheid acabe. Foi dessa maneira, aliás, que o apartheid acabou na África do Sul. (...) Nesse momento as pessoas não estão deixando de romper com Israel porque o problema é Israel. As pessoas estão deixando de romper porque o problema são os Estados Unidos. São os Estados Unidos que têm Israel como verdadeiro depósito de armas e um modelo de genocida permanente para domínio daquela região e eventualmente de mais lugares”.