Novos e-mails sugerem que ex-assessora atuava como tradutora de Cid
Material está sendo analisado pela CPMI dos Atos Golpistas
247 - Durante as investigações da CPI do 8 de Janeiro, surgiram questionamentos significativos sobre a atuação de Maria Farani, ex-assessora do Gabinete Adjunto de Informações Presidenciais, que aparentemente atuava como tradutora para Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), informa reportagem da Folha de S.Paulo.
Um e-mail datado de janeiro de 2022, enviado por Farani a Cid, tratava de um pedido de mudança de visto para Beatriz, filha de um tenente-coronel do Exército, que tinha planos de estudar nos Estados Unidos. Na mensagem, enfatizava-se que a solicitação era para alterar o visto de turista para estudante. Cid demonstrava preocupação com a possibilidade de Beatriz perder tempo caso não pudesse iniciar seus estudos imediatamente, o que a deixaria atrás dos demais alunos.
Outro e-mail encontrado na caixa postal de Cid foi enviado por Farani em inglês, sugerindo que a ex-assessora poderia ter intermediado a negociação de um relógio Rolex de luxo. Ela perguntava a Cid quanto ele estava disposto a receber pela peça e indagava sobre o certificado de garantia original. Cid afirmava que pretendia vender o relógio por US$ 60 mil (aproximadamente R$ 290 mil).
Farani admitiu que Cid pediu sua ajuda devido à sua fluência em inglês. Segundo ela, "por falar inglês, ele me pediu para enviar esses e-mails, e quando recebi as respostas, encaminhei-as para ele", relatou a ex-assessora ao jornal O Globo. As implicações dessas trocas de e-mails estão sob escrutínio durante as investigações da CPI, buscando esclarecer a natureza e a legalidade dessas transações e conexões.