“O Brasil precisa de uma coalizão antifascista”, diz Federico Finchelstein

O historiador e professor Federico Finchelstein, um dos maiores estudiosos do fascismo, caracterizou Jair Bolsonaro como uma ameaça real à democracia e defendeu que somente uma coalizão ampla, abrangendo o espectro político, seria capaz de derrotar essa ameaça. Assista na TV 247

Federico Finchelstein
Federico Finchelstein (Foto: Casa de América)
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247 - O historiador e professor Federico Finchelstein, um dos maiores estudiosos do fascismo, afirmou à TV 247 a necessidade de se criar uma frente ampla contra a ameaça posta por Jair Bolsonaro. Professor de História na New School for Social Research e no Eugene Long College, ambos em Nova York, ele disse que o presidente brasileiro segue a cartilha fascista, que busca destruir a democracia “de dentro”.

“Existiam problemas reais em países como Argentina, Brasil e Índia, e essas pessoas se apresentaram como solucionadoras desses problemas, mas é claro que, quando chegam ao poder, vemos que eles não resolvem nada. Existem problemas de criminalidade em todos os países e eles apresentam essa situação de lei e ordem, mas vemos que, quando estão no poder, a violência aumenta, ela não diminui. A democracia é sempre algo que precisa melhorar, e, quando isso não acontece, essas pessoas autoritárias usam isso como uma desculpa para destruir a democracia, não para melhorá-la. Acredito que isso é parte do problema”, avaliou o autor de ‘Do Fascismo ao Populismo na História’.

Finchelstein reforçou a importância de enfatizar questões de justiça e de constituição, mas que isso constitui apenas uma dimensão da mobilização contra o governo Bolsonaro. “A outra é que, é claro, estes não são tempos normais. Os Estados Unidos são um exemplo disso. Você precisa lutar contra aqueles que querem ser fascistas, que estão aspirando ao fascismo. A história do fascismo nos mostra que eles foram parados quando se teve uma coalizão de pessoas que não tinham as mesmas ideias. Em outras palavras, uma coalizão antifascista, uma coalizão em que se têm pessoas de esquerda, de centro ou até de direita, mas que estejam com a Constituição”. 

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Ele defendeu que uma coalizão semelhante à americana seja criada no Brasil: “Talvez esteja sendo ingênuo, talvez esteja pedindo por muito, mas foi isso que aconteceu nos Estados Unidos, quando se teve uma coalizão de democratas de esquerda, de centro e até de republicanos contra o perigo do fascismo representado pelo Trump. É disso que o Brasil precisa, uma coalizão antifascista, na minha humilde visão”.

Em outro trecho da entrevista, ele também disse que “o fascismo está ligado à masculinidade tóxica”. “[O fascismo] é uma forma particular de masculinidade, não é a masculinidade, mas uma masculinidade chauvinista e machista”, afirmou.

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