"O debate em torno do colorismo é contraproducente para o movimento negro", diz Letícia Parks

Ativista Letícia Parks disse à TV 247 que “pretos e pardos, pobres e moradores da periferia sofrem o mesmo tipo de discriminação”. No mesmo programa, o compositor Jorge LA Matheus pediu união: “Temos que ocupar espaços e se estamos unidos é melhor ainda”. Assista

Letícia Parks
Letícia Parks (Foto: Reprodução/[email protected])
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247 - O programa “Um Tom de resistência” desta semana, na TV 247, trouxe como tema “As cores do racismo”, num momento em que a questão do colorismo tem gerado discussões e divergências entre ativistas do movimento negro. Na opinião da professora e ativista do Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT), Letícia Parks, “embora muitos fatores alterem a experiência do racismo, e o tom da pele é um deles, discutir quem sofre mais ou menos racismo não nos levará a lugar algum. O direito de transitar com uma aparência mais branca não é para todos. Se você for um morador da favela, você pode ter a pele mais clara que for, que será visto pela polícia como negro e será submetido à uma abordagem violenta.”

Leticia Parks e a filósofa e escritora Djamila Ribeiro se envolveram recentemente em uma polêmica sobre o tema que resultou em alfinetadas de ambas as partes. Djamila chegou a se referir a Letícia como “clarinha de turbante”, e ela devolveu acusando a escritora de estar usando a causa para se promover. O cantor e compositor Jorge LA Matheus, que também participou do programa, lamentou as discordâncias causadas pelo debate sobre o colorismo. “Temos que ocupar espaços e se estamos unidos é melhor ainda. Eu fico um pouco triste quando há intriga, quando há briga, porque a gente não tem muito tempo para essas coisas. Precisamos nos fortalecer trocando conhecimento e informações”, disse.

Letícia, que tem criticado Djamila Ribeiro por ela se aliar ao capitalismo participando de campanhas publicitárias, explicou o seu posicionamento. “A racialização do continente africano serviu de base para o capitalismo e contribuiu para um processo de escravidão massiva na África. A partir disso, o capitalismo foi criando os seus próprios contornos. Esse discurso de que existe uma enorme diferença de acordo com o tom de pele dos negros, serve mais ao estado brasileiro para seguir o maquiamento do racismo no Brasil, do que, de fato, para unificar a população negra e estimular o reconhecimento da nossa identidade.”

Mesmo evitando entrar na polêmica, Jorge LA Matheus concordou que há militantes mais interessados em se promover do que realmente lutar pelo bem da coletividade negra. “Eu contribuo com a minha a raça e com a minha ancestralidade, sendo o máximo verdadeiro. Não costumo perder tempo com intrigas. Mas, acredito que tem muita gente interesseira sim. Gente que faz uso dessa questão do negro, para galgar um pouco mais”, opinou o artista. O significante negro como processo de construção histórico social, e não apenas um fator biológico, também foi abordado no programa, que ainda contou com apresentação de Jorge cantando “Inventor do Brasil”, de sua própria autoria.

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