"O Líbano é parte do cessar-fogo", diz Pepe Escobar
Analista denuncia ataques israelenses em território libanês e diz que inclusão do país é ponto central da trégua
247 - O Líbano integra o acordo de cessar-fogo no conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, mas ataques registrados no território libanês já nas primeiras horas da trégua colocam em risco sua continuidade. A avaliação é do jornalista Pepe Escobar, que aponta contradições entre os envolvidos e fragilidade nas bases do entendimento.
A análise foi apresentada nesta quarta-feira (8), em entrevista ao canal “Judging Freedom”, no YouTube. Segundo Escobar, a inclusão do Líbano no acordo foi explicitada por autoridades paquistanesas, responsáveis por intermediar as comunicações entre Washington e Teerã. “O Líbano é parte do acordo de cessar-fogo”, afirmou.
Apesar disso, a interpretação foi contestada por autoridades dos Estados Unidos e de Israel. “A Casa Branca disse hoje que não é, Netanyahu disse que não é”, relatou o jornalista, evidenciando divergências centrais sobre os termos da trégua.
Escobar destacou que ataques israelenses ocorreram antes mesmo da implementação formal do cessar-fogo, agravando o cenário. “Eles bombardearam o acordo antes mesmo de ele entrar em vigor”, disse. Segundo ele, as ofensivas atingiram diversas regiões do Líbano, incluindo áreas urbanas. “Estavam bombardeando o centro de Beirute hoje”, afirmou.
Para o analista, a continuidade dessas ações inviabiliza qualquer avanço diplomático. Ele ressaltou que, para o Irã, a validade do cessar-fogo depende de sua aplicação integral. “Um cessar-fogo tem que acontecer em todas as frentes ou em nenhuma frente”, declarou, classificando essa condição como uma “linha vermelha” de Teerã.
O jornalista também apontou a ausência de um documento formal como um dos principais fatores de instabilidade. Segundo ele, o acordo foi conduzido de forma improvisada, sem registros oficiais. “Não temos um documento, nada está por escrito. Isso é um cessar-fogo de Twitter, WhatsApp”, disse.
A mediação envolveu o Paquistão como intermediário, enquanto a China teve papel decisivo ao convencer o Irã a aceitar a trégua nas horas finais antes de um prazo crítico imposto pelos Estados Unidos. Ainda assim, Escobar questiona a capacidade de Washington de garantir o cumprimento do acordo por Israel. “Ninguém consegue controlar isso”, afirmou.
De acordo com ele, autoridades iranianas já indicaram que, caso os ataques persistam, o cessar-fogo poderá ser considerado inválido. O cenário atual, segundo Escobar, é marcado por divergências de interpretação e ausência de coordenação efetiva entre as partes.


