O maior brasileiro

O Brasil é um país de contrates. De um lado, o pseudocrescimento e, do outro, o esbanjamento da riqueza pela nova classe média

O Brasil é um país de contrates. De um lado, o pseudocrescimento e, do outro, o esbanjamento da riqueza pela nova classe média. A economia está aquecida devido ao alto consumo das famílias e à produção da indústria de bens e serviços. Mas tudo isso tem um preço e as famílias estão cada vez mais endividadas.

Vivemos um período de incertezas, greves, violência desenfreada e no lado da educação e da cultura, uma lástima. Imagine que uma rede de TV aberta lançou um programa para que as pessoas votem no maior brasileiro de todos os tempos. Louvável iniciativa que visa reconhecer aquele que fez muito pelo país, na arte, na cultura, na educação e no desenvolvimento, deixando um legado social para as gerações futuras.

As pessoas que votaram não entenderam, ou realmente estamos muito aquém de um discernimento sobre o que versa o tema. Em uma lista com cem nomes, aparecem: Rodrigo Faro (39º), Xuxa (40º), Renato Aragão (38º), Pastor Silas Malafaia (26º), Edyr Macedo (13º), Luan Santana (42º), Tiririca (48º), Gugu Liberato (49º), Dedé do Vasco (63º), Michel Teló (72º), Lampião (74º), Datena (81º), Ronaldinho Gaúcho (82º), Joelma do Calypso (83º) e Anderson Silva (90º). O que essas personalidades fizeram de tão importante para ser consideradas como o maior brasileiro de todos os tempos? Nomes como Milton Santos, Paulo Freire, Ruy Barbosa, entre outras tantas personalidades deveriam figurar na lista e nem aparecem.

Infelizmente nós estamos muito aquém da civilização e a população não sabe discernir o que é uma boa música de um pagode fuleiro qualquer. Estamos nos nivelando por baixo. Eu quero tchu, eu quero tcha, eu quero tchu tcha tcha tchu tchu tcha
Tchu tcha tcha tchu tchu tcha.

O sistema educacional está cada vez mais combalido, a falência da educação é notória pelo nível dos estudantes que frequentam as escolas e chegam às universidades. Boa parte deles depois de formados é de verdadeiros analfabetos funcionais, ou seja, não desenvolve a habilidade de interpretar um texto.

Greves intermináveis estão em andamento - dos professores das escolas públicas do estado da Bahia e das Universidades Federais. Mais de cem dias de greve é demais para um país que tem um nível cultural muito baixo. Enquanto na Europa a média de livros lidos/ano é de oito a dez por habitante, aqui alcançamos a pífia marca de quatro livros, sendo que somente dois são lidos até o final.

Afinal, que valor os governantes dão aos professores? Se nem o direito ao aumento salarial garantido por lei eles têm. Saiba que no Japão, por exemplo, um professor é o único profissional pelo qual o imperador se curva, tal o grau de valorização que eles têm por lá. Recentemente, nos EUA, mais especificamente em Miami, um professor brasileiro chamado Alexandre Lopes foi eleito o melhor professor do ano por seu projeto de inclusão com crianças, concorrendo com mais de 24 mil outros professores. Exemplo de que por lá eles valorizam os professores.

Estamos em um ano de política, em outubro votaremos em prefeito e para vereador. Será que a população está preparada politicamente para votar? O homem, por natureza, é um ser político e social. Ele sempre está envolvido em alguma atividade relacionada com as outras pessoas. Mas é preciso um envolvimento maior com a política de estado, para que possamos escolher bem aqueles que nos representarão no legislativo e no executivo. O poder do voto está nas mãos da população, é só exercer esse poder com consciência e não se render ao voto de cabresto, nem se deixar vender por um saco de cimento, uma dentadura ou uma promessa que nunca será cumprida.

Um país rico é um país sem pobreza mas precisa ter um nível cultura e científico elevado para figurar entre as maiores nações do planeta.

 

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