OAS fraudou contratos em sete países para pagar propinas, diz delator

O gerente da área internacional de contabilidade clandestina da OAS, o ex-executivo Alexandre Portela Barbosa, afirmou que a empreiteira usou contratos fictícios em sete diferentes países para gerar dinheiro ilegal usado em pagamentos de propina e caixa dois no Brasil e no exterior; os contratos fraudulentos firmados entre 2010 e 2014 totalizaram cerca de R$ 447 milhões; recursos abasteciam contas de doleiros, que faziam as movimentações financeiras no exterior e remetiam o dinheiro para o Brasil

OAS fraudou contratos em sete países para pagar propinas, diz delator
OAS fraudou contratos em sete países para pagar propinas, diz delator (Foto: REUTERS/David Mercado)

247 - O gerente da área internacional de contabilidade clandestina da OAS, o ex-executivo Alexandre Portela Barbosa, afirmou que a empreiteira usou contratos fictícios em sete diferentes países para gerar dinheiro ilegal usado em pagamentos de propina e caixa dois no Brasil e no exterior. Em delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal, ele disse que foram usadas para este fim ilícito unidades da OAS sediadas no Chile, Costa Rica, Equador, Guatemala, Peru, Trindade e Tobago, e Ilhas Virgens Britânicas. Os contratos fraudulentos firmados por esses braços da empreiteira entre 2010 e 2014 totalizaram cerca de US$ 120 milhões, ou R$ 447 milhões. Os recursos abasteciam contas de doleiros, que faziam as movimentações financeiras no exterior e remetiam o dinheiro para o Brasil.

Segundo o jornal O Globo, oito ex-executivos do setor de contabilidade clandestina da OAS, chamado de "Controladoria de Projetos Estruturados", relataram pagamentos de propina e caixa dois de R$ 125 milhões a pelo menos 21 políticos de oito partidos.

Uma das fraudes relatadas aconteceu em 2012 e foi referente à obra de uma usina hidrelétrica no Equador, feita pela sucursal da OAS naquele país.

Barbosa disse que visitou a obra em companhia de outro executivo da empreiteira, porque ela apresentava uma "margem de lucro expressiva" que facilitaria o desvio de recursos. "Devido ao fato de a construtora OAS estar performando um contrato importante no Equador, na cidade de Babahoya ('Proyecto Multiproposito UHE Baba'), ambos foram ao acampamento da obra, no interior do Equador, buscar informações que tivessem sido produzidas pela empresa para verificar se poderiam utilizá-las para elaborar um ou mais contratos fictícios", diz o ex-executivo.

Após a análise e a intermediação de doleiros, a OAS Equador contratou uma empresa de fachada sediada na Espanha. "Com esse esquema, geraram um caixa dois no valor bruto de US$ 9,2 milhões, por meio de um contrato 100% fictício, de serviços de consultoria e engenharia que nunca foram prestados", relatou Alexandre Barbosa.

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