Obras da Copa paradas no Rio e São Paulo: assim sai?

No Maracan, corao do Mundial, operrios esto em greve h treze dias; eles pedem refeies melhores e so chamados de radicais pelos empreiteiros; em So Paulo, Justia determina interrupo das obras feitas sem licitao no aeroporto de Cumbica; nas duas pontas, presena da Delta Engenharia



247 – Só não escuta quem não quer. No principal eixo da Copa do Mundo de 2014 – Rio de Janeiro- São Paulo --, dois canteiros de obras estratégicos são palcos, hoje, de problemas que podem por em risco os cronogramas que já estão atrasados.

No Maracanã, o coração do Mundial, onde será jogada a partida final, todos os prazos correm o risco de estourar – exatamente como já aconteceu com o orçamento da monumental reforma, que hoje custa cerca de R$ 1 bilhão a mais do que o previsto inicialmente. Há 13 dias em greve, com reivindicações simples como ter refeições de melhor qualidade e pausa para lanchar de madrugada, 400 operários fizeram passeata hoje para reafirmar seu movimento. Em nota, o consórcio liderado pela Delta Engenharia (leia íntegra abaixo) classificou os trabalhadores de radicais e rechaçou qualquer possibilidade de acordo.

Em São Paulo, a Justiça determinou a suspensão das obras de reforma e ampliação do aeroporto de Cumbica, que será o principal ‘hub’ (centro de pousos e decolagens) aeroportuário do País durante o evento. O motivo foi a contratação sem licitação, pela Infraero, da empreiteira Delta Engenharia. Pertencente ao empresário Fernando Cavendish, a companhia também lidera o consórcio que toca as obras no Maracanã, neste momento paradas.

Por mais que o governo procure informar que as obras para a Copa correm em normalidade, os fatos contrariam a versão. O que se vê são problemas nos dois pólos mais importantes do Mundial e prazos tendo de ser dilatados em várias outras cidades que serão sedes da competição. Até aqui, o senso comum de que o Brasil não estava preparado para sediar um evento desse porte está se confirmando.

Abaixo, a nota do consórcio de empreiteiras das obras no Maracanã a respeito da greve dos operários:

 

 

"O número de operários que participaram hoje de protesto em frente ao Maracanã corresponde a menos de 10% dos trabalhadores que atuam na reforma do estádio. A manifestação é uma tentativa do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Pesada Intermunicipal do Rio de Janeiro de demonstrar que o movimento tem apoio massivo dos funcionários, o que, pela quantidade de manifestantes, evidencia-se não ser verdadeiro.

O Consórcio Maracanã Rio 2014 reitera que se colocou inteiramente à disposição dos trabalhadores para negociações, tendo sido instalado, após a paralisação anterior, um grupo integrado por representantes dos trabalhadores e do Consórcio para discutir a viabilidade da implantação de novos benefícios.

O Consórcio ressalta ainda que estão sendo cumpridos todos os itens acordados no dia 21 de agosto com o Sindicato dos Trabalhadores, sendo os principais:

1. Aumento, a partir de 1º de setembro, do valor da cesta básica de R$ 110 para R$ 160.

Este benefício é pago com base no mês trabalhado, ou seja, os trabalhadores receberiam a cesta básica com novo valor junto com o salário do mês de setembro, sendo um incentivo à frequência ao trabalho.

2. Plano de saúde individual para os trabalhadores (titulares), também a partir de 1º de setembro. O plano foi contratado pelo Consórcio, mas o preenchimento da documentação de adesão pelos trabalhadores seria feita a partir de 1º de setembro, o que não ocorreu, já que os operários iniciaram nesta data a paralisação.

3. Abono dos dias parados (17, 18 e 19 de agosto), sem desconto nos benefícios dos trabalhadores, o que foi integralmente pago no último dia 31 de agosto.

Todos esses itens foram homologados durante audiência no Tribunal Regional do Trabalho realizada no dia 22 de agosto.

Sobre a qualidade da alimentação, outro item da pauta de reivindicações do Sindicato, o Consórcio destaca que técnicos da Subsecretaria de Vigilância, Fiscalização Sanitária e Controle de Zoonoses, órgão da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil, fizeram no dia 02 de setembro, uma visita surpresa ao refeitório e à cozinha do canteiro de obras do estádio do Maracanã. Segundo relatório apresentado pelos técnicos ao final da vistoria, nenhuma irregularidade foi encontrada com a comida ou sua manipulação.

A respeito das queixas quanto à segurança do trabalho, o Consórcio informa que, desde o início das obras, em agosto de 2010, foram feitas nove fiscalizações pela Secretaria Regional de Trabalho e Emprego, órgão do Ministério do Trabalho e Emprego. Nenhuma irregularidade foi constatada e não foi lavrado nenhum auto de infração. Existe um Plano de Segurança do Trabalho, que é cumprido à risca no canteiro de obras e atividades complementares. Além disso, há equipe médica de plantão para atendimento aos trabalhadores e uma ambulância com UTI móvel no local.

Visto que todas as reivindicações dos trabalhadores estão sendo atendidas, o Consórcio entende não haver motivo para a atual paralisação, estando o assunto agora entregue à Justiça. Cabe ao Consórcio Maracanã Rio 2014 aguardar a decisão judicial."

 

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