Odebrecht transformou propina em doação oficial

Entre 2010 e 2014, a Odebrecht mudou de tática em seus métodos para repassar dinheiro a políticos, recorrendo a doações eleitorais declaradas à Justiça Eleitoral; um dos 77 executivos que assinaram acordo de colaboração com a Operação Lava Jato, em dezembro, Claudio Melo Filho listou pagamentos no valor total de R$ 26,6 milhões via caixa dois em 2014; o aumento das doações oficiais apontadas por delatores é corroborado por dados do Tribunal Superior Eleitoral, segundo o qual empresas do grupo doaram um total de R$ 15,7 milhões a candidatos, comitês de campanha e partidos em 2010 -equivalente a R$ 20 milhões pela inflação do período; nas eleições de 2014, o valor sobe para R$ 88,9 milhões -salto de 343%

Logo da Odebrecht em Lima, capital do Peru. 28/06/2016 REUTERS/Janine Costa
Logo da Odebrecht em Lima, capital do Peru. 28/06/2016 REUTERS/Janine Costa (Foto: Giuliana Miranda)

247 - Entre 2010 e 2014, a Odebrecht mudou de tática em seus métodos para repassar dinheiro a políticos, recorrendo a doações eleitorais declaradas à Justiça Eleitoral. Um dos 77 executivos que assinaram acordo de colaboração com a Operação Lava Jato, em dezembro, Claudio Melo Filho listou pagamentos no valor total de R$ 26,6 milhões via caixa dois em 2014. O aumento das doações oficiais apontadas por delatores é corroborado por dados do Tribunal Superior Eleitoral, segundo o qual empresas do grupo doaram um total de R$ 15,7 milhões a candidatos, comitês de campanha e partidos em 2010 -equivalente a R$ 20 milhões pela inflação do período. Nas eleições de 2014, o valor sobe para R$ 88,9 milhões -salto de 343%.

As informações são da Folha de S.Paulo.

"Outros pagamentos delatados pela empreiteira ainda permanecem sob sigilo. Os acordos de colaboração ainda precisam da homologação do ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal.

Ainda em 2014, ano em que as doações da Odebrecht deram um salto, as primeiras investigações da Lava Jato já apontavam recursos eleitorais como caminho usado para pagamento de propina.

A operação foi deflagrada em março daquele ano. Ainda antes do pleito, foi instalada a CPI da Petrobras no Congresso, e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef fecharam as primeiras delações.

Em abril, um relatório da Polícia Federal sobre um documento achado na casa de Costa levantava a hipótese de que o esquema na Petrobras podia ter irrigado campanhas.

O aumento das doações oficiais apontadas por delatores é corroborado por dados do Tribunal Superior Eleitoral, segundo o qual empresas do grupo doaram um total de R$ 15,7 milhões a candidatos, comitês de campanha e partidos em 2010 -equivalente a R$ 20 milhões pela inflação do período.

Nas eleições de 2014, o valor sobe para R$ 88,9 milhões -salto de 343%.

O total de doações a campanhas e partidos no período cresceu 2% em valores corrigidos: foi de R$ 4,7 bilhões a R$ 4,8 bilhões, segundo a ONG Transparência Brasil."

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