'Olavo de Carvalho ajuda a pensar a liberdade', diz presidente da Biblioteca Nacional
Enquanto Olavo de Carvalho prega o fechamento do Congresso Nacional e a perseguição de lideranças da esquerda nas redes sociais, o recém-nomeado presidente da Biblioteca Nacional, Rafael Nogueira, diz que Olavo ajuda "a pensar com liberdade"
247 - Recém-nomeado presidente da Biblioteca Nacional, Rafael Nogueira, é cohecido por ser um discípulo do astrólogo Olavo de Carvalho e da monarquia, disse em entrevista ao jornal O Globo que vai trazer sua personalidade de docente à instituição.
"Quero trazer minha personalidade de professor, retirar esse ar de uma instituição distante, assombrosa", diz ele ao se referir à Biblioteca Nacional.
Sobre Olavo de Carvalho, ele disse que a maior contribuição do "professor" foi "ajudar a pensar com liberdade". O guru do clã Bolsonaro é conhecido por pregar o fechamento do Congresso e a perserguição à lideranças de partidos principalmente da esquerda.
"Como ele fez a contraposição a um pensamento que era único, hegemônico. Hoje a gente pode se apresentar dentro de uma diversidade maior. Ele trouxe ao Brasil a possibilidade de pensar em voz alta sem medo e censura. A academia, inclusive, poderia discutir a obra dele mais serenamente, sem se ater só as polêmicas", disse o seu discípulo.
Nogueira falou também sobre a sua nomeação que é considerada ilegal por contrariar o Decreto Nº 9.727, que estabelece, entre outros requisitos, que o ocupante a um cargo como presidente da Biblioteca Nacional teria que ter mestrado ou doutorado e ter ocupado cargo em comissão ou função de confiança equivalente a DAS de nível 3.
"Tenho pós-graduação, fiz mestrado em Direito Internacional, mas não concluí. Entendo que atuo em atividades correlatas, trabalho com livros há mais de 15 anos, comecei minha carreira em instituições culturais, como a Academia Santista de Letras. Estas competências estão previstas. Claro que não quero dizer que fui preparado durante todo este tempo para este cargo específico, mas vou poder contar com as pessoas que estão aqui e conservam a memória da instituição", justificou.
Ele ainda tentou remendar as afirmações feitas em redes sociais em que associa a presença de Caetano Veloso e Legião Urbana em livros didáticos ao analfabetismo, afirmando que foi apenas "um mal entendido".
"Ali eu escrevia para amigos, e, trabalhando com educação, vi que professores e livros didáticos se excediam no uso da música popular, com mais destaque que clássicos da literatura luso-brasileira. Evidente que foi uma brincadeira. Não acho que Caetano ou Legião têm a ver com o analfabetismo. Reconheço que a música popular pode ajudar, mas a alfabetização tem níveis. E, para chegar aos mais altos, não dá para colocar só a música como parâmetro. Ela pode ser uma ponte, para que a gente atravesse outras maiores", disse.
