ONU condena assassinato de liderança quilombola Bernadete Pacífico
A morte de Bernadete Pacífico recebe repúdio internacional da ONU Direitos Humanos, que pede investigação
247 — A Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu uma condenação veemente do assassinato de Bernadete Pacífico, proeminente liderança quilombola, ocorrido na última quinta-feira (17) em Simões Filho, Bahia. O Escritório Regional para a América do Sul da ONU Direitos Humanos instou as autoridades brasileiras a investigar rigorosamente o caso e garantir que os responsáveis sejam levados à justiça. Bernadete Pacífico, líder da Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (CONAQ) e ex-secretária de Promoção da Igualdade Racial de Simões Filho, foi brutalmente assassinada a tiros em sua própria casa e terreiro religioso. O crime chocou a comunidade quilombola e gerou indignação em todo o país.
"A ONU Direitos Humanos manifesta sua solidariedade com a família e a comunidade dessa reconhecida mulher negra, quilombola, representante de uma religião de matriz africana e defensora do seu território", declarou a entidade em comunicado oficial. A morte de Bernadete Pacífico representa não apenas uma tragédia individual, mas também um ataque aos direitos humanos e à luta pela igualdade racial. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) da Bahia divulgou informações preliminares sobre o caso, indicando que dois homens, usando capacetes para esconder suas identidades, invadiram a residência de Bernadete e abriram fogo contra ela. O atentado aconteceu nas dependências da associação do Quilombo Pitanga dos Palmares, na cidade de Simões Filho.
A morte de Bernadete Pacífico ressalta a necessidade urgente de ações concretas para combater a violência e a discriminação contra as comunidades quilombolas no Brasil. A ONU Direitos Humanos exige que as autoridades brasileiras investiguem este caso de forma rápida e imparcial, assegurando que os responsáveis sejam responsabilizados perante a lei. A comunidade quilombola e defensores dos direitos humanos esperam que a morte de Bernadete Pacífico não seja em vão, mas sim um catalisador para uma maior conscientização e ação em prol da igualdade racial e da proteção das comunidades quilombolas em todo o país. A ONU acompanhará de perto o desenvolvimento das investigações.
