ONU contesta Mourão e pede debate urgente sobre o racismo brasileiro

Assassinato brutal de João Alberto Freitas numa loja do Carrefour já provoca comoção internacional e desmente o discurso negacionista de Hamilton Mourão sobre o racismo brasileiro

ONU, Mourão e Carrefour
ONU, Mourão e Carrefour (Foto: Reuters | Guilherme Bittar)
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247 - Em nota publicada nesta sexta-feira, 20, a Organização das Nações Unidas (ONU) contradiz o vice-presidente, general Hamilton Mourão, que disse não haver racismo no Brasil. O comunicado aponta que a morte de João Alberto Silveira Freitas, num Carrefour em Porto Alegre, "é um ato que evidencia as diversas dimensões do racismo e as desigualdades encontradas na estrutura social brasileira".

A organização repudiou o fato de o brasileiro ter sido "brutalmente agredido" e pede investigação. "A violenta morte de João, às vésperas da data em que se comemora o Dia da Consciência Negra no Brasil, é um ato que evidencia as diversas dimensões do racismo e as desigualdades encontradas na estrutura social brasileira", diz a ONU.

"Milhões de negras e negros continuam a ser vítimas de racismo, discriminação racial e intolerância, incluindo as suas formas mais cruéis e violentas", afirmou.

"Dados oficiais apontam que a cada 100 homicídios no país, 75 são de pessoas negras. O debate sobre a eliminação do racismo e da discriminação racial é, portanto, urgente e necessário, envolvendo todas e todos os agentes da sociedade, inclusive o setor privado", apelou. "A proibição da discriminação racial está consagrada em todos os principais instrumentos internacionais de direitos humanos e também na legislação brasileira", disse.

A ONU pede ainda "a plena e célere investigação do caso’ e clama “por punição adequada dos responsáveis, por reparação integral a familiares da vítima e pela adoção de medidas que previnam que situações semelhantes se repitam".

O órgão também "convida também toda a sociedade brasileira, a partir da Campanha Vidas Negras, a participar ativamente da construção de uma sociedade igualitária e livre do racismo". "Vidas negras importam e não podem ser deixadas para trás", completa.

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