Pagot prospera, verbas somem e estradas matam

Personagem central do Ministrio dos Transportes, Luiz Antonio Pagot est construindo uma manso de 620 m em Cuiab ( esq.); perto de Belm, as verbas da BR-115 sumiram; no Brasil, 14 pessoas morreram nas estradas nos ltimos dias; tudo a ver

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247 – A relação é direta. Entre o último final de semana e esta quinta-feira 21, nada menos que 14 pessoas, entre elas uma bebê de cinco meses, perderam a vida nas estradas brasileiras. Nos últimos dias, numa tardia faxina anti-corrupção, 16 funcionários da cúpula do Ministério dos Transportes foram exonerados por suspeita de corrupção. Ontem, soube-se que o atual diretor geral do Departamento Nacional de Infraestrutura Territorial (DNIT), Luiz Antônio Pagot, está construindo uma mansão de três andares e 620 metros quadrados em Cuiabá, no Mato Grosso. A má gestão das verbas oficiais do setor dos transportes, o enriquecimento dos principais executivos do ministério e a permanente situação de acidentes graves na malha rodoviária brasileira tem muita a ver entre si.

É do Dnit que, em tese, deveria sair o dinheiro para a construção de novas estradas e obras de manutenção nas já existentes, como operações de recapeamento e renovação de sinalização. O que se sabe até agora, porém, é que grande parte dessa verba, estimada em R$ 13 bilhões para este ano de 2011, nem sequer chega ao seu destino, abandonando os motoristas a toda sorte de imprevistos em viagens em todas as regiões e de extensões as mais variadas. "É difícil imaginar que não haverá nenhum problema em um orçamento tão grande”, reconheceu hoje, em Brasília, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, que já foi titular do Planejamento. “Mas o Tribunal de Contas da União (TCU) está monitorando".

Nesta mesma quinta –feira, dia em que graves acidentes ocorreram em estradas de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, promotores do Ministério Público Federal denunciaram o estado de completo abandono, pelo DNIT, da rodovia BR-155, que liga Redenção a Marabá. A estrada já foi incluída na malha rodoviária federal há mais de dois anos, em 6 de julho de 2009. Porém até hoje o departamento não finalizou os trâmites burocráticos para regulamentar a federalização da rodovia, o que impede a instalação de policiamento e a feitura de qualquer reparo.

Sem esse enquadramento, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) não pode fazer a patrulha na rodovia. Já existe um efetivo disponível para trabalhar no local. A reforma dos postos de fiscalização ao longo da rodovia está se perdendo, conforme o Ministério Público Federal no Pará. A falta de manutenção deteriora os pontos que deveriam estar sendo utilizados. De acordo com os promotores, essa situação implica sérios riscos à segurança viária e à população local e eleva os índices de criminalidade na região.

Na manhã de hoje, por volta das 8h00, três pessoas morreram em um acidente na BR-317, na região centro-oeste do Paraná. O veículo em que elas viajavam, modelo Del Rey, colidiu com uma carreta. Com a violência do impacto, o carro foi partido ao meio. A parte traseira ficou presa sob o caminhão. O resgate dos corpos foi difícil. A última vítima só foi retirada das ferragens duas horas após o acidente.

Durante a madrugada, na rodovia Ayrton Senna, na alça do trevo de Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, um motorista de um corsa sedã preto levou um grande susto. Ele atropelou um cavalo, que, com o choque, invadiu o veículo pelo para-brisa. O animal morreu naquele momento. Apesar do susto, o motorista não se feriu, já que o animal entrou pelo lado do passageiro. O cavalo teria se soltado da corda e saído de um sítio ao lado da rodovia.

Em Minas, obras de recapeamento da rodovia BR-040 provocaram freadas bruscas e um engavetamento que envolveu seis veículos. O acidente ocorreu no final da manhã de hoje na altura do bairro Água Branca, em Contagem , na região metropolitana de Belo Horizonte. A colisão deixou duas pessoas feridas. O motorista de uma carreta contou que estava trafegando pela via quando o trânsito parou por causa de obras de recapeamento e ele não conseguiu frear.

 

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