Para defender trabalhadores, CUT vai dialogar com novo governo

Crítico do governo Bolsonaro, "eleito com uma proposta que iludiu muito os brasileiros e parcela dos trabalhadores, com fake news e utilizando estratégias vindas de outras eleições", o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Wagner Freitas, reconhece a legitimidade do vitorioso nas urnas e se declara disposto a dialogar se isto for necessário para defender os interesses dos trabalhadores

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Para defender trabalhadores, CUT vai dialogar com novo governo (Foto: CUT | ABr)


247 - O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) concedeu uma entrevista a El País, em que dá opiniões que certamente provocarão celeuma nos meios sindicais e demais movimentos populares. Até mesmo no seio do PT, com o qual a central sindical mantém relação umbilical, suas opiniões poderão suscitar polêmica.

Crítico do governo Bolsonaro, "eleito com uma proposta que iludiu muito os brasileiros e parcela dos trabalhadores, com fake news e utilizando estratégias vindas de outras eleições", Freitas reconhece a legitimidade do vitorioso nas urnas. 

"O Governo [Bolsonaro] foi eleito por 57 milhões de pessoas (...). A CUT vai procurar o Governo para negociar os interesses dos trabalhadores. Diferentemente do que fez com o [presidente Michel] Temer, que nunca foi eleito, o senhor Jair Bolsonaro, com todas as críticas que eu possa fazer, foi eleito presidente da República. E portanto nós vamos tratá-lo assim, como quem foi eleito, e vamos levar a nossa pauta de reivindicação dos trabalhadores para ser negociada. Nós vamos defender os trabalhadores de qualquer ataque que possa acontecer, mas é diferente da nossa visão em relação ao Temer. Nós não considerávamos o Temer presidente eleito".

O dirigente cutista aproveita a oportunidade da entrevista para fazer uma autocrítica de declarações, divulgadas em vídeo, que fez durante um comício em Curitiba, em 14 de novembro último. Na ocasião, Freitas disse: "Todos sabem que Lula seria eleito em primeiro turno, por isso está preso. Logo, que fique muito claro que nós não reconhecemos o senhor Bolsonaro como presidente da República. "O vídeo que gravei em Curitiba foi um momento infeliz. Eu fiz uma fala e eu não penso isso. Sabe por quê? Porque eu preciso defender os trabalhadores, independentemente do que nós achemos sobre o Bolsonaro. Se o movimento sindical não fizer a representação direta dos trabalhadores perante o Governo Bolsonaro, outros não farão e os trabalhadores ficarão desprotegidos. O que eu estou dizendo aos trabalhadores é que eles não estão e não estarão sozinhos. [Eles] têm a CUT lado a lado deles para proteger os seus direitos, independentemente se votaram no Bolsonaro ou em qualquer outro candidato".

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Durante a entrevista, o presidente da CUT opina também, entre outros temas, sobre as reformas previdenciária, trabalhista e tributária.

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