Para Marcos Nobre, Bolsonaro chegará forte às eleições e instituições estão em colapso

"Temos pouco tempo e não só Bolsonaro não está parado, como ele está muito bem organizado. E ele sabe que está no piso dele. Daqui pra eleição, ele só vai crescer", afirma o cientista social e professor da Unicamp Marcos Nobre

Marcos Nobre e Bolsonaro
Marcos Nobre e Bolsonaro (Foto: José Cícero da Silva/Agência Pública | Reuters)
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247 - "Caso Bolsonaro perca a eleição, ele vai tentar um golpe. Eu não tenho a menor dúvida. Se ele vai ter força pra conseguir, é outra coisa”, afirma o cientista social e professor da Unicamp Marcos Nobre em entrevista ao Marco Zero Conteúdo. Para ele, as instituições estão em "colapso" e é preciso que haja união para criar uma frente ampla para frear as intenções golpistas. "Daqui pra eleição, ele só vai crescer, não vai diminuir. A menos que aconteçam mais catástrofes, mais tragédias, e ninguém pode torcer por isso", ressalta.

Marcos Nobre observa que Bolsonaro vai tentar um golpe "com partes das Forças Armadas e parte das forças de segurança e quem mais ele conseguir armar porque ele está distribuindo armamento à vontade e sabemos que esse tipo de líder autoritário produz também grupos paramilitares e o que hoje é milícia do crime pode facilmente se tornar milícia política porque isso já aconteceu na história”.

O professor avalia que “se Bolsonaro der o passo e ver que não tem apoio, ele se retira como mártir. Mas que ele vai tentar o golpe, eu não tenho a menor dúvida”. Ainda segundo ele, “se o Bolsonaro se reeleger, a democracia no Brasil acabou, ele vai seguir o mesmo roteiro da Polônia, da Hungria, da Turquia, das Filipinas, que, no segundo mandato, fecharam o regime.  Ele já está dando todas as indicações. Tá fazendo todas as coisas”.

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Para o pesquisador, é preciso ter "consciência que nós estamos em emergência democrática, ter clareza sobre isso. Parar com esse negócio que as instituições estão funcionando, que está tudo certo e que Bolsonaro está contido. Tomar esse tipo de atitude não é só cegueira é, no limite, irresponsável. Porque não é essa a situação, objetivamente. Você pode achar que está funcionando ou que não está funcionando. Nem é essa a questão. Acho que as instituições estão em colapso. Não é que o hospital não está funcionando, é que tem tanta gente que ele não consegue funcionar de um jeito razoável, né?“.

Segundo ele, "só existe uma saída. Uma Frente Ampla”. “Frente Ampla não significa ter uma candidatura única em 2022. Significa ter um acordo entre todas as forças democráticas de que quem chegar ao segundo turno contra Bolsonaro terá o apoio do resto. Esse acordo precisa ser construído e precisa ser construído já. Nós estamos já atrasados na construção desse acordo. Por que? Porque a gente não pode arriscar perder tudo. Aí alguém diz, o meu candidato ganha do Bolsonaro fácil. E eu pergunto: quem te garante isso?”, ressaltou.

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“Nós temos pouco tempo e não só Bolsonaro não está parado, como ele está muito bem organizado. E ele sabe que está no piso dele. Daqui pra eleição, ele só vai crescer, não vai diminuir. A menos que aconteçam mais catástrofes, mais tragédias, e ninguém pode torcer por isso. Torcer por terceira ou quarta onda, apagão? Você vai torcer pra uma desgraça acontecer com o país? Não pode. O que é isso, gente? Não dá”, finalizou.

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