Para que tantos ministros?

Nenhum administrador despacha com 40 subordinados

No balanço dos 100 dias de governo de Dilma Rousseff várias linhas foram gastas por algumas publicações para mostrar quais os ministros mais próximos e os mais distantes da presidente. A agenda oficial de Dilma foi esmiuçada para verificar quantas vezes cada um dos ministros foi recebido em audiências.

Mais uma vez nossa imprensa, ou parte dela, substitui o principal pelo acessório. E dá ao leitor informações que podem parecer relevantes, mas que não dizem absolutamente nada. Fazem efeito, mas não têm substância, ao estilo do jornalismo-espetáculo. Há ministros que foram recebidos muitas vezes pela presidente, há ministros que nunca foram recebidos. E daí?

Há evidentes erros nessa avaliação. Primeiro, porque nem todos os encontros de Dilma com ministros, especialmente os chamados “da Casa”, são registrados na agenda. Segundo, porque o número de audiências formais não indica, necessariamente, o maior ou menor prestígio ou eficiência do ministro. Algumas análises até estão corretas, como a inexpressividade do ministro do Turismo ou a força do ministro Palocci, mas são tão óbvias que dispensariam a demonstração.

A questão principal não é o número de audiências. O que importa é o excesso de ministros no Brasil. São 37, brevemente serão 40. Teoricamente, todos colocados no mesmo patamar, a não ser pela ordem de precedência estabelecida pelas normas protocolares. Mas, na prática, com pesos diferentes na estrutura de governo.

Ninguém, com um mínimo de conhecimento de administração, pode achar que uma organização com 40 pessoas subordinadas a uma só possa ser eficiente. Como acompanhar, supervisionar, controlar e despachar com 40 pessoas? Nenhum presidente de empresa, ou nenhum chefe de organização de qualquer tipo lida diretamente com 40 pessoas.

Os dados podem não ser muito precisos, mas nossa vizinha Argentina tem 15 ministros. O Chile tem 20. A Índia tem 13. Estados Unidos, França e Alemanha têm 15 ministros. A África do Sul se aproxima mais do Brasil, tem 28.

É impossível a um ou a uma presidente tratar igualmente 40 ministros. Se fosse despachar com cada um por uma hora por semana, precisaria de 40 horas: cinco dias com jornada de oito horas. Alguns países parlamentaristas têm vice-primeiros-ministros que supervisionam o trabalho de ministros de uma mesma área, descentralizando as responsabilidades. Não é o caso do Brasil, pois aqui o ministro que pode fazer esse papel é o chefe da Casa Civil, que também é um só.

É óbvio que vários ministérios poderiam ser fundidos e alguns poderiam desaparecer sem que ninguém – a não ser algumas corporações neles interessadas – sentisse falta. Com menos ministérios, a presidente poderia acompanhar mais de perto as atividades de seus primeiro auxiliares, conversar mais com eles.

Além disso, os gastos seriam reduzidos. Menos autoridades nos gabinetes, menos viagens, menos carros oficiais, menos celulares, menos agentes de segurança. O país só teria a ganhar com um ministério mais enxuto e mais eficiente. Os ministros teriam mais peso e até seriam conhecidos pelos nomes.

Por que, então, isso não acontece? Porque é preciso dar ministérios a aliados, oferecer a gestão de verbas públicas e prestígio a políticos, atender às reivindicações dos partidos políticos. Práticas nocivas que são apresentadas como normais, próprias de uma democracia.

A questão, pois, não é que existem ministros de primeiro time e ministros de segunda categoria, ministros com prestígio e ministros sem prestígio. Com 40 ministros, não há como ser diferente. A questão é que nenhum país do mundo precisa de tantos ministros.

Roger, para os íntimos

Para Cláudio Salm, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, nada há de estranho no fato de o governo procurar influenciar os rumos da Vale. Além de acionista, a União tem ações preferenciais que lhe conferem esse direito, observa Salm, na Folha de S. Paulo. O inusitado, diz ele, seria a falta de articulação entre a empresa e as estratégias nacionais de desenvolvimento.

O que Salm diz é óbvio. Menos para alguns defensores sectários do “mercado” e de Roger Agnelli, como uma jornalista que, em seus comentários, chama o ex-presidente da Vale de Roger. Sem maiores cerimônias.

Da direita para o centro

O candidato da esquerda, Ollanta Humala, vai disputar o segundo turno das eleições presidenciais no Peru. Provavelmente sua adversária será Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que está preso, acusado de corrupção e violências.

A direita peruana e latino-americana deve apoiar Fujimori, para impedir que o eixo pró-estadunidense Colômbia – Chile – Peru se desfaça. Humala está mais próximo do grupo Brasil – Uruguai – Paraguai, mas seus adversários procuram identificá-lo com o trio Venezuela – Bolívia – Equador.

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