Paulo Azi, do União Brasil, será o relator da PEC que acaba com jornada 6x1
Escolhido por Hugo Motta e Leur Lomanto, deputado do União Brasil assume análise na CCJ e negociará texto que reduz carga semanal de trabalho
247 - O deputado Paulo Azi (União Brasil-BA) deverá ser oficializado nesta terça-feira (24) como relator da proposta de emenda à Constituição que extingue a jornada de trabalho no modelo 6x1, considerada a principal aposta do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste semestre. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo.
A escolha foi definida em reunião realizada no domingo entre o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Leur Lomanto (União Brasil-BA). Segundo o jornal, embora o anúncio oficial esteja previsto para esta terça-feira, após conversa de Motta com líderes partidários, o nome de Azi já foi definido nos bastidores. A indicação foi revelada inicialmente pelo site Metrópoles e confirmada pela Folha com fontes do partido.
Na condição de relator, caberá a Paulo Azi conduzir as negociações sobre o texto com o governo, parlamentares e representantes da sociedade civil. É dele a responsabilidade de apresentar parecer na CCJ, etapa em que se avalia a admissibilidade da proposta — ou seja, se os dispositivos não violam cláusulas pétreas da Constituição.
Aliado do ex-prefeito de Salvador ACM Neto, Azi assume a relatoria em meio a um cenário de disputa política na Bahia. ACM Neto é um dos principais adversários do PT no estado e lidera pesquisas de intenção de voto contra o governador Jerônimo Rodrigues (PT). Ao ocupar a linha de frente da proposta, o grupo do secretário-geral do União Brasil pretende compartilhar os dividendos políticos do debate sobre a redução da jornada de trabalho.
Paulo Azi presidiu a CCJ da Câmara em 2025 e integra a ala considerada moderada do União Brasil, embora atue na oposição ao PT. Sua escolha é vista como tentativa de equilibrar a condução de um tema sensível, que mobiliza tanto a base governista quanto setores empresariais.
Duas propostas tramitam de forma conjunta na CCJ. Uma delas é de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e prevê a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas, com organização do trabalho em quatro dias por semana. A outra é apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e também propõe a diminuição da carga semanal de 44 para 36 horas.
Após a análise de admissibilidade na CCJ, o texto ainda poderá passar por alterações em comissão especial a ser criada especificamente para discutir o mérito da proposta, antes de eventual votação em plenário.
Enquanto a tramitação avança no Congresso, setores empresariais organizam uma estratégia para tentar barrar a mudança. De acordo com a Folha, o plano envolve três frentes: trabalhar para que a votação ocorra apenas após as eleições, produzir estudos e campanhas destacando possíveis impactos negativos da redução da jornada e apresentar alternativas, como a desoneração da folha de salários ou a ampliação da autorização para pagamento por hora trabalhada