Paulo Rabello: “Trabalho no Brasil é opção de último caso”

Entrevista do presidente do IBGE é um manifesto contra o rentismo no Brasil; depois de dizer que o problema do Brasil é o 'técnico' – "veja a seleção brasileira, uma rearticulação na cabeça do técnico fez emergir com os mesmos jogadores um outro time" – o economista Paulo Rabello de Castro compara a tese de alguns teorizadores de que "temos que praticar a taxa de juros mais elevada do mundo, pois esse é o remédio universal" com "tratamento numa clínica vodu"; "Isso sustenta um rentismo financeiro e faz com que a sociedade precise ser reeducada para o compromisso de trabalhar. Trabalho no Brasil é opção de último caso. As filas preferenciais são as do subsídio e as do privilégio", diz

Entrevista do presidente do IBGE é um manifesto contra o rentismo no Brasil; depois de dizer que o problema do Brasil é o 'técnico' – "veja a seleção brasileira, uma rearticulação na cabeça do técnico fez emergir com os mesmos jogadores um outro time" – o economista Paulo Rabello de Castro compara a tese de alguns teorizadores de que "temos que praticar a taxa de juros mais elevada do mundo, pois esse é o remédio universal" com "tratamento numa clínica vodu"; "Isso sustenta um rentismo financeiro e faz com que a sociedade precise ser reeducada para o compromisso de trabalhar. Trabalho no Brasil é opção de último caso. As filas preferenciais são as do subsídio e as do privilégio", diz
Entrevista do presidente do IBGE é um manifesto contra o rentismo no Brasil; depois de dizer que o problema do Brasil é o 'técnico' – "veja a seleção brasileira, uma rearticulação na cabeça do técnico fez emergir com os mesmos jogadores um outro time" – o economista Paulo Rabello de Castro compara a tese de alguns teorizadores de que "temos que praticar a taxa de juros mais elevada do mundo, pois esse é o remédio universal" com "tratamento numa clínica vodu"; "Isso sustenta um rentismo financeiro e faz com que a sociedade precise ser reeducada para o compromisso de trabalhar. Trabalho no Brasil é opção de último caso. As filas preferenciais são as do subsídio e as do privilégio", diz (Foto: Aquiles Lins)
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247 - O presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Paulo Rabello de Castro, deu entrevista nesta segunda-feira, 5, para a Folha de S. Paulo em que faz duras críticas à situação econômica do País. 

"Ainda estamos regredindo. E, se olharmos à frente, vemos projeções menos favoráveis do que há seis meses. À medida que os meses de 2016 foram avançando, foi ficando claro que a reversão do processo recessivo será mais lenta e mais penosa, do ponto de vista do que mais nos interessa, que é a recuperação do emprego. Portanto, o quadro não é bom", afirmou.

Para ele, a política monetária do País é uma das grandes responsáveis pela recessão econômica atual. "A taxa de juros é um remédio muito sério, que deveria ser usado por um período intensivo e muito curto. Não por décadas seguidas. O resultado é que, de 1999 até hoje, a dívida pública está quase duas vezes superior ao que poderia estar se estivéssemos praticando uma taxa de juros neutra. Isso sustenta um rentismo financeiro e faz com que a sociedade precise ser reeducada para o compromisso de trabalhar. Trabalho no Brasil é opção de último caso. As filas preferenciais são as do subsídio e as do privilégio", afirmou Rabello. 

Paulo Rabello destaca também que a situação econômica atual é prio do a vivida na década de 1980, que ficou conhecida como "década perdida". "Na década de 1980, não tínhamos apenas um incômodo internacional. Hoje o vento não está mais hiperfavorável, mas não quer dizer que o cenário seja totalmente antagônico. Em 1980 era. Estávamos afundados em uma restrição absoluta, não tínhamos dólares e tínhamos que importar petróleo. Hoje estamos em uma crise de credibilidade em razão dos nossos desajustes", afirmou. 

O presidente do IBGE confirma que 2017 é praticamente mais um ano perdido para economia brasileira. "Minha torcida pela saída da recessão fica só no plano estatístico. Porque, se crescermos 1% em 2017, provavelmente teremos um ou dois trimestres positivos no fim do ano. Isso ensejará a saída estatística da recessão, mas não agradará, porque a resposta em termos de emprego e renda vai ser muito fraca. Crescer 1% em 2017 é claramente insuficiente. Ficará para 2018 o hercúleo trabalho de, aí sim, demonstrar números mais parecidos com uma recuperação", afirma. 

Leia na íntegra a entrevista de Paulo Rabello. 

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