Pesquisador do uso do WhatsApp por grupos políticos sofre ameaças de bolsonaristas e deixa o país

Para o pesquisador e professor do Departamento de Estudos de Mídia da Universidade da Virgínia, nos EUA, David Nemer os responsáveis pelas ameaças “são pessoas que atuam dessa maneira e que se sentem empoderados a tomar tais atitudes devido o discurso extremista do presidente"

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247 - O pesquisador brasileiro David Nemer, que estuda o uso do aplicativo WhatsApp por grupos políticos, deixou o país às pressas devido a ameaças sofridas por bolsonaristas. Nemer teria recebido um e-mail anônimo afirmando que sabiam de seus hábitos, como o de frequentar um parque em São Paulo, e que ele tivesse “cuidado”. Segundo reportagem do UOL, além da ameaça, uma fotografia do pesquisador caminhando pelo local havia sido anexada junto com a mensagem. Este teria sido o quarto e-mail com ameaças que o pesquisador teria recebido. Ele deixou o país no sábado (14). 

"Sabemos que voce esta em Sao Paulo- e melhor voce ter cuidado [sic]", diz o texto da mensagem enviada no início da manhã do último sábado. Para Nemer, as suspeitas recaem sobre as milícias virtuais bolsonaristas, um dos objetos de sua pesquisa. "Eu venho pesquisando e monitorando a rede de fake news pro-Bolsonaro. Essa rede de fake news é mantida por um grupo chamado de MAV, Movimento Ativista Virtual, ou milícia virtual", disse o pesquisador ao UOL. 

Em uma outra mensagem ameaçadora, datada do dia 24 de agosto, o autor perguntava se Nemer se sentia seguro por residir nos Estados Unidos, "Vc acha que ta salvo ai nos EUA.... Eduardo Bolsonaro, o nosso 03, vai ser o nosso embaixador e voce ta fudido [sic]”, dizia a mensagem.

David Nemer é professor do Departamento de Estudos de Mídia da Universidade da Virgínia, nos EUA e, segundo a reportagem, não revelou em qual país buscou refúgio devido às ameaças recebidas. O foco dos estudos realizados por ele se concentra em grupos de WhatsApp de apoio a políticos de esquerda, centro-esquerda, centro, centro-direita e extrema-direita. Para ele, os responsáveis pelas ameaças “são pessoas que atuam dessa maneira e que se sentem empoderados a tomar tais atitudes devido o discurso extremista do presidente". 

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