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Petrobras estatal reduziu impacto da crise dos combustíveis, afirma Deyvid Bacelar

Em audiência na Câmara, Bacelar afirmou que capacidade de refino e controle estatal reduziram impactos da crise internacional no Brasil

Deyvid Bacelar (Foto: Câmara dos Deputados)
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247 - O Brasil conseguiu reduzir os efeitos da crise internacional dos combustíveis graças à capacidade nacional de produção e refino de petróleo, aliada ao papel estratégico da Petrobras como empresa estatal. A avaliação foi feita por Deyvid Bacelar, especialista em óleo, gás e energia, durante audiência pública realizada nesta quinta-feira (22) pela Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados.

Segundo informações apresentadas por Bacelar durante a audiência, enquanto países como Estados Unidos e Canadá enfrentaram aumentos superiores a 30% nos preços da gasolina e do diesel, o Brasil registrou impactos mais moderados, com alta de 6% na gasolina e de 17,7% no diesel.

Ao defender a importância da estatal brasileira para a proteção do mercado interno, Bacelar afirmou que a manutenção da estrutura nacional de produção e refino foi decisiva para evitar um cenário mais grave no país. “Os dados mostram que o Brasil só conseguiu amortecer os efeitos da crise internacional dos combustíveis porque ainda mantém capacidade de produção, refino e uma Petrobrás estatal atuando como instrumento de proteção do mercado interno. Onde houve maior dependência externa e ausência de controle público, os impactos foram muito mais severos para a população”, declarou.

Defesa da soberania energética

Durante sua participação na audiência pública, Bacelar também fez um alerta sobre os impactos da venda de ativos estratégicos da Petrobras. Para ele, o enfraquecimento da presença estatal no setor compromete a capacidade do país de enfrentar crises internacionais e proteger a economia nacional.

O especialista defendeu o fortalecimento da soberania energética brasileira e criticou a lógica de tratar energia apenas como mercadoria. “Energia não pode ser tratada apenas como mercadoria. Quando o país abre mão de refinarias, da distribuição e de setores estratégicos da cadeia do petróleo, perde capacidade de proteger sua economia, controlar preços e garantir segurança energética”, afirmou.

Na avaliação de Bacelar, a defesa de uma Petrobras pública e integrada é fundamental para assegurar estabilidade econômica e autonomia nacional. Ele ressaltou ainda que o controle estatal sobre toda a cadeia produtiva do petróleo tem papel estratégico para o desenvolvimento do país.

Reestatização de refinarias

Durante a audiência, Bacelar também defendeu a reestatização de refinarias privatizadas nos últimos anos, além da retomada de empresas ligadas à distribuição de combustíveis e gás de cozinha.

Entre os ativos citados por ele estão a antiga Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia, atualmente privatizada, e a Refinaria da Amazônia (Ream), no Amazonas. O especialista também mencionou a importância da BR Distribuidora e da Liquigás para ampliar a capacidade de intervenção do Estado no setor energético.

“É fundamental a reestatização das refinarias privatizadas, como a antiga Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia, e a Refinaria da Amazônia (Ream), no Amazonas, além da BR Distribuidora e da Liquigás, para que a redução dos preços chegue de fato ao consumidor final, impactando não apenas os combustíveis, mas toda a cadeia alimentícia e outros setores diretamente afetados pelo custo da energia”, concluiu Bacelar.