Petrobras quer esconder da sociedade informações sobre fundação Lava Jato

A defesa da Petrobrás informou ao ministro do STF Alexandre de Moraes que entregará documentos internos sobre o acordo por um fundo de R$ 2,5 bilhões com a Lava Jato em torno da multa a ser paga em ações nos EUA; mas a estatal pediu sigilo sobre as atas, "a fim de resguardar informações de natureza negocial da Companhia"; Procuradoria-Geral da República questionou a constitucionalidade do acordo

Petrobras quer esconder da sociedade informações sobre fundação Lava Jato
Petrobras quer esconder da sociedade informações sobre fundação Lava Jato (Foto: Tânia Rêgo - ABR)

247 - A defesa da Petrobrás informou ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes que entregará documentos internos sobre o acordo por um fundo de R$ 2,5 bilhões com a Lava Jato em torno da multa a ser paga em ações nos Estados Unidos. Mas a estatal pediu sigilo sobre as atas, "a fim de resguardar informações de natureza negocial da Companhia". A manifestação foi enviada no âmbito de ação em que a Procuradoria-Geral da República questiona a constitucionalidade do acordo.

O valor bilionário é resultado de uma multa paga pela estatal em ação nos EUA, a qual definiu que 80% do valor deveria ser remetido ao Brasil. O fundo seria administrado pela Operação Lava Jato.

O ministro expediu ofícios para que a Petrobrás apresente "cópia das Atas das Assembleias Gerais, das Reuniões do Conselho de Administração, das Reuniões de Diretoria, e das Atas e Pareceres do Conselho Fiscal que tenham versado sobre o acordo tratado nesta ação". Os relatos foram publicados no Blog do Fausto Macedo.

Em resposta ao ofício, a Petrobrás afirma que "o acordo tratado nesta ação não foi objeto de deliberação em Assembleia Geral, tampouco foi objeto de reunião do Conselho Fiscal". "Na governança corporativa da Petrobras, o assunto foi apreciado por sua Diretoria Executiva; pelos Comitês de Minoritários e de Auditoria Estatutário, órgãos de assessoramento do Conselho de Administração e a ele diretamente vinculados; e, ao final, foi decidido pelo Conselho de Administração da Companhia", diz.

"Não obstante, considerando que as atas são sucintas, a Petrobras pretende anexar aos autos os documentos gerenciais que suportaram a decisão dos citados órgãos colegiados, a saber, o Documento Interno Petrobras (DIP) JURÍDICO 20/2019 e o Resumo Executivo apresentado ao Conselho de Administração", afirma.

A Petrobrás, no entanto, requer 'que seja conferido tratamento confidencial a todos os referidos documentos, afim de resguardar informações de natureza negocial da Companhia, conforme expresso em lei'. "Isso porque, como dito, o conteúdo de tal documentação reflete o que foi tratado e decidido no âmbito da decisão do respectivo órgão deliberativo".

Lava Jato

Em evento na sede do Estadão, o coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, afirmou que a multa 'não é do Ministério Público', nem da Lava Jato'.

De acordo com o procurador, foram divulgadas informações equivocadas sobre o fundo. "Essa fundação seria da sociedade civil, teria uma cadeira do MP lá. O modelo foi o fundo federal dos direitos difusos, que tem uma cadeira do MP, e o objetivo dessa cadeira era permitir uma fiscalização maior e esperar que a estrutura de gestão desse fundo. Agora, seria uma cadeira de 10, 20 pessoas que teriam no conselho curador. Essa fundação não é do MP, não é da Lava Jato, não seria administrada pela Lava Jato, os recursos não iriam para o MP ao contrário do que originalmente se colocou".

"Haverá uma gestão de extra orçamento do MP. Não é procedente, esse dinheiro não ficaria nem com o MP nem com a Lava Jato. Como ele seria gerido? Entidades da sociedade civil tocariam projetos. Esse conselho curador decidiria para quais os projetos para os quais seriam destinador. Existem uma série de regras de governança boa gestão e fiscalização, inclusive com auditorias externas e independentes. Do mesmo modo que aconteceria com o fundo de interesses difusos", afirmou.

Conheça a TV 247

Ao vivo na TV 247 Youtube 247