Caso Master: PF aponta menções a Ciro Nogueira e avalia abrir inquérito
Relatório sobre celular de Vorcaro indica possíveis conexões políticas no caso Master e será enviado ao STF para análise de eventual investigação formal
247 - A Polícia Federal (PF) prepara um relatório com os primeiros achados da análise do celular e de arquivos do banqueiro Daniel Vorcaro, no caso Master. Segundo o jornal O Globo, o material reúne menções a figuras políticas e poderá embasar novas investigações. O documento deve ser enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.
Investigadores identificaram referências ao senador Ciro Nogueira, presidente do PP, e avaliam se há elementos para solicitar a abertura de inquérito a fim de apurar eventual atuação em favor do banqueiro. Mensagens mostram que Vorcaro comemorou uma emenda proposta por Nogueira em uma PEC que previa elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o teto de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), medida que beneficiaria o banco Master, mas que acabou rejeitada.
Nos diálogos, o banqueiro registra a repercussão da proposta. "Kkk todo mundo me ligando (…) Sentiram o golpe", escreveu Vorcaro, segundo os investigadores.
Durante negociações para a venda do banco ao BRB, o Banco Central do Brasil sinalizou possível veto à operação. Diante disso, o deputado Cláudio Cajado (PP-BA) articulou um requerimento para acelerar um projeto que permitiria ao Congresso destituir dirigentes do Banco Central, mas a iniciativa não avançou após reação negativa do mercado.
Em outra mensagem, Vorcaro chamou Nogueira de "um dos meus grandes amigos de vida". Questionado, o senador afirmou que suas relações com empresários são institucionais. "Sou convidado para jantares, palestras, encontros. Agora, o CPF dele é um, o meu é outro. O que vai nortear minha trajetória de vida é minha história, e podem ter toda a certeza: se surgir algum dia alguma denúncia que seja comprovada contra o senador Ciro, eu renuncio ao meu mandato".
A Polícia Federal tem descartado conteúdos de natureza privada sem indícios de irregularidades e concentra a apuração em possíveis crimes. Para que o caso permaneça no STF, é necessário apontar o envolvimento de autoridades com foro privilegiado em ilícitos relacionados ao caso.
As investigações também alcançam a rede de contatos políticos de Vorcaro. Mensagens com o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa citam conversa com Antônio Rueda, presidente do União Brasil, durante negociações da venda do banco. Rueda afirmou ter prestado serviços jurídicos ao Master dentro da legalidade, enquanto ACM Neto confirmou ter recebido R$ 3,6 milhões por consultorias, também classificadas como regulares.