HOME > Brasil

PL quer palanque em todos os estados para 2026

Partido de extrema-direita quer presença em chapas majoritárias nos estados para ampliar apoio à pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro e Valdemar da Costa Neto (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado | Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

247 - O PL orientou suas lideranças estaduais a assegurar espaço nas chapas majoritárias de todos os estados com foco na eleição de 2026. A estratégia prevê que cada unidade da federação tenha ao menos um candidato ao governo ou ao Senado engajado diretamente na campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato da legenda ao Palácio do Planalto.

Segundo a reportagem da Folha de S.Paulo, a definição dos palanques ficará concentrada nas mãos do ex-presidente Jair Bolsonaro, responsável por indicar os nomes ao Senado, e do presidente do partido, Valdemar Costa Neto, que terá a palavra final sobre as candidaturas aos governos estaduais. A meta é estruturar uma rede de apoio capaz de potencializar a campanha presidencial já no primeiro turno.

Em Santa Catarina, Jair Bolsonaro já teria definido a composição do palanque, com o vereador Carlos Bolsonaro (PL) e a deputada federal Caroline de Toni (PL) na disputa pelo Senado. O arranjo, contudo, cria tensão com aliados locais. O governador Jorginho Mello (PL), candidato à reeleição, preferia apoiar o senador Esperidião Amin (PP), que acabou preterido e deve concorrer de forma independente.

Em Goiás, o escolhido para a corrida ao Senado é o deputado Gustavo Gayer (PL). A segunda vaga, por orientação de Bolsonaro, deverá ficar sob influência do governador Ronaldo Caiado (PSD), que também é pré-candidato à Presidência. A movimentação busca aproximar Caiado do projeto de Flávio, seja ainda no primeiro turno — em caso de desistência do governador — ou numa eventual segunda rodada da disputa.

Em São Paulo, o PL apoia a reeleição de Tarcísio, que já indicou o deputado Guilherme Derrite (PP) como candidato ao Senado. A legenda avalia lançar um nome próprio para a segunda vaga, a ser definido por Bolsonaro, e também negocia a possibilidade de ocupar a vice na chapa estadual. O cenário, porém, se mostra competitivo com a entrada do deputado Ricardo Salles (Novo) na corrida ao Senado.

Em Minas Gerais, o quadro segue indefinido. O vice-governador Matheus Simões (PSD) é apontado como possível candidato ao governo, apoiando o governador Romeu Zema (Novo) à Presidência. Flávio tenta atrair Zema para compor como vice em sua chapa, enquanto o senador Cleitinho (Republicanos-MG) também se posiciona como aliado do bolsonarismo no estado. O deputado Nikolas Ferreira (PL) chegou a ser cogitado para disputar o governo, mas não demonstrou interesse.

A estratégia nacional inclui ainda negociações com a federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, além de tratativas para incorporar o Republicanos à coligação presidencial. O partido avalia que poderá ter desempenho superior ao de 2022 nas disputas estaduais e aposta na pulverização das candidaturas de oposição ao presidente Lula (PT) no primeiro turno, com expectativa de recomposição no segundo. Em estados como Mato Grosso, onde o PL apoiou Mauro Mendes (União Brasil) em 2022, a sigla agora pretende lançar o senador Wellington Fagundes (PL) ao governo. Já em Pernambuco, a prioridade é a candidatura avulsa do ex-prefeito de Jaboatão Anderson Ferreira ao Senado, com foco em ampliar a representação da legenda em um estado historicamente alinhado ao lulismo.