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Planalto vê provocação na reunião do embaixador de Israel com Bolsonaro

No entanto, até que os 34 brasileiros presos na Faixa de Gaza sejam liberados, a ordem é agir com pragmatismo. Nenhuma medida mais forte contra o embaixador será tomada

Daniel Zonshine (Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados | Pedro França/Agência Senado)

247 - O embaixador de Israel no Brasil, Daniel Zonshine, causou desconforto ao participar na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (8) de uma reunião com Jair Bolsonaro (PL) e parlamentares de extrema direita. O governo do presidente Lula (PT) interpretou essa ação como uma provocação evidente, mas optou por não emitir uma resposta imediata.

Zonshine já foi chamado a prestar esclarecimentos ao Itamaraty por declarações polêmicas em pelo menos três ocasiões, mas persiste em seguir o que diplomatas e auxiliares do presidente consideram "uma rota absolutamente equivocada". O desconforto é tão palpável, segundo Daniela Lima, do g1, que muitos internamente no Planalto avaliam que ele "não é interlocutor" adequado do governo brasileiro para essa crise. Apesar disso, a orientação é não reagir impulsivamente e dar prioridade ao pragmatismo até a repatriação dos 34 brasileiros presos na Faixa de Gaza. >>> "Encontro do embaixador de Israel com Bolsonaro é tentativa de desestabilizar o governo Lula", diz José Reinaldo Carvalho

Na tarde desta quarta, o embaixador de Israel no Brasil, conhecido por suas ligações com a extrema direita, promoveu um encontro na Câmara com parlamentares bolsonaristas e o próprio Jair Bolsonaro. Durante a reunião foram exibidas imagens veiculadas por Israel sobre um ataque atribuído ao grupo Hamas, datado de 7 de outubro. De acordo com os parlamentares presentes, a exibição dos vídeos visa elucidar aspectos da guerra entre Israel e Palestina. >>> "O presidente do Brasil se chama Lula, goste Netanyahu ou não", diz Florestan Fernandes Júnior

Zonshine, ao longo do último mês, já se encontrou com figuras proeminentes do círculo bolsonarista, incluindo Eduardo Bolsonaro (SP), Nikolas Ferreira (MG), Carla Zambelli (SP), Sóstenes Cavalcante (RJ), Julia Zanatta (SC), André Fernandes (MA) e Cabo Gilberto Silva (PB). A aproximação do embaixador com o bolsonarismo tem como objetivo principal desestabilizar o governo Lula. Vale lembrar que Zonshine recentemente não poupou críticas ao PT e à administração Lula por conta da guerra. Ao mesmo tempo, Bolsonaro e seus aliados trabalham para atrelar a imagem de Lula ao Hamas – grupo considerado terrorista por Israel e outros países, embora esta classificação seja objeto de debate internacional em outros contextos.