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Brasil

PMDB defende ações de Cabral para Mesquita, no Rio

Candidato a prefeito pelo partido, Mauro Vasconcelos acredita que solução para a escalada de violência em cidade da Baixada Fluminense está na água encanada, iluminação pública e instalação de uma UPA na Chatuba; 250 agentes do Bope tomam comunidade; nove suspeitos presos por morte de seis jovens

PMDB defende ações de Cabral para Mesquita, no Rio (Foto: Edição/247)
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247 – A escalada da violência em Mesquita, na Baixa Fluminense, acirrou os ânimos na eleição para prefeito do município. "A solução é um choque de ações sociais para a Chatuba e todas as comunidades carentes da nossa cidade", disse ao 247 o candidato Mauro Vasconcelos, do PMDB. Aliado do governador Sérgio Cabral, ele apoia a presença do efetivo do Bope na comunidade que registrou 12 mortes violentas nos últimos três dias. Há, neste momento (11h15), um efetivo de 250 policiais militares na comunidade, onde 12 pessoas foram assassinadas nos últimos três dias -- entre as quais, seis jovens encontrados com sinais de tortura nas margens da via Dutra, na segunda-feira à noite.

"Conhecendo o governador Cabral como eu conheço, tenho certeza que ele vai trazer a paz para a nossa comunidade. A paz, para nós, não é apenas uma bandeira, mas uma realização. Sabemos que o policiamento é absolutamente necessário, mas ele é o início do processo de pacificação. O movimento definitivo é a melhoria das condições de vida daquela população". Conhecido por seu programa Fala, Baixada, Mauro tem em seu plano de governo o que considera a solução para a questão social de Mesquista.

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"Vou criar a Rede do Bem, que será um conjunto de ações sociais com o objetivo de resgatar a dignidade da nossa gente". O candidato acredita que é preciso "cuidar das pessoas, da criança ao idoso, passando pelo adolescente a mulher e o adulto. Esta é a única saída para a superação dessa situação de degradação social".

Mais iluminação pública, água encanada e a instalação de uma UPA na Chatuba são as primeiras realizações da chamada Rede do Bem. "Como um povo que não tem água encanada para tomar banho pode ter dignidade?", pergunta Mauro. "Vai ficar, sem dúvida, refém dos traficantes e dos aproveitadores". Para o candidato, a saída para o beco de violência para o qual Mesquita está bem embicada é mesmo um pacote coordenado de medidas consistentes. "Já tenho a garantia do governador Sergio Cabral da instalação de uma UPA na Chatuba. Será o primeiro passo. Em seguida, a intenção é iluminar as ruas e levar a água para todas as casas. Estamos no século 21, nossa comunidade não pode viver como se vivessemos cem anos atrás".

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A Chatuba é, hoje, uma comunidade dominada por placas de propaganda eleitoral do candidato do PDT, Farid Abrãao David, irmão do contraventor Anísio Abrão David. Com origem na vizinha Nilópolis, Farid tenta o cargo de prefeito como forma de ampliar os domínios do clã na Baixada Fluminense. "É no mínimo estranho essa cumplicidade entre Farid, que representa a contravenção, e uma área dominada pelo tráfico", registra o candidato Mauro.

247 vai procurar o candidato Farid para comentar as declarações do postulante do PMDB.

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Abaixo, notícia de O Globo online a respeito da chacina de menores na Chatuba:

Sobe para nove o número de suspeitos detidos na ocupação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Batalhão de Choque da Polícia Militar (BPChq) na favela da Chatuba, em Mesquita, na Baixada Fluminense, que começou na madrugada desta terça-feira (11).

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Entre os suspeitos, três estão presos: Ricardo Sales da Silva, de 25 anos e Monica da Silva Francisco, de 20. Os dois estavam com 433 papelotes de cocaína e 41 pedras de crack. Um homem identificado apenas como Beto Gorducho também foi preso. Ele estava em uma casa com 50 gramas de cocaína e 15 mil reais em espécie.

Outros cinco suspeitos também foram encaminhados para a 53º DP, em Mesquista. Um menor foi apreendido.

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Cerca de 250 policiais, entre homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Batalhão de Choque (BChoque), Batalhão com Cães, do Grupamento Aero Marítimo e da Coordenadoria de Inteligência vasculham a Favela da Chatuba, em Mesquita, na Baixada Fluminense, desde 1h15 desta terça-feira (11). Segundo o comando, a ação da polícia não tem prazo para acabar.

De acordo com o coronel Frederico Caldas, relações públicas da PM, até as 9h30 da manhã não havia ocorrido nenhum tipo de reação dos bandidos.

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"A partir dessa ocupação definitiva vai ser instalada uma Companhia Destacada, com efetivo de 112 policiais. É uma resposta imediata aos atos bárbaros que foram cometidos no final de semana. O relato dos moradores é dramático. A convivência com esses marginais fazia parte da rotina deles. Essa ação é uma reconquista desse território e uma garantia de tranquilidade aos moradores", afirmou Caldas.

Segundo moradores que preferiram não se identificar, a chegada da polícia aconteceu em boa hora. "Moro aqui há 55 anos e a situação estava ficando cada vez pior. Espero que agora as coisas melhorem", disse uma moradora, ressaltando que as vezes tinha receio até de chegar no portão de casa.

Conforme informou o coronel Caldas, a morte dos seis jovens e do cadete da Polícia Militar expuseram uma realidade muito cruel que a região era submetida até agora.

"Essa operação foi planejada no dia de ontem. Mobilizamos as nossas tropas especiais, pedimos o apoio do Corpo de Fuzileiros Navais, que disponibilizou quatro blindados, que foram fundamentais para a nossa entrada. Nosso objetivo é reestabelecer a ordem e acabar com essa ação tão nefasta desses marginais aqui nessa localidade", explicou o coronel.

Ainda de acordo com o relações públicas da PM, o setor de inteligência da Polícia acredita que os chefes do tráfico da comunidade que teriam ordenado os atos são Juninho Cagão, que seria o líder do tráfico na região, Foca e Ratinho.

"Esses três certamente devem ter liderado essas execuções", disse Caldas, afirmando que a polícia já tem a descrição desses 3 criminosos e a informação de possíveis locais onde eles possam estar escondidos.

Na manhã desta terça, a polícia faz trabalho de revista e de aproximação com a comunidade para tentar chegar ao paradeiro dos traficantes. Policiais com cães farejadores também vasculham a área de mata da Chatuba em busca dos criminosos.

Ainda de acordo com Caldas, as informações obtidas através do Disque-Denúncia têm sido fundamentais para essa ocupação. Só na noite de segunda-feira (10) foram 12 ligações.

Seis jovens foram mortos

Traficantes da Chatuba são suspeitos das mortes de pelo menos oito pessoas no final de semana. Entre eles, estão seis jovens que tinham entre 16 e 19 anos, que desapareceram no sábado (8) quando foram tomar banho em uma cachoeira da região.

Os corpos de Glauber Siqueira, Victor Hugo Costa e Douglas Ribeiro, de 17 anos, Christian Vieira, de 19, e Josias Searles e Patrick Machado, de 16, foram encontrados nesta segunda-feira às margens da Via Dutra. Eles estão sendo velados pela manhã em um ginásio municipal de Nilópolis e serão enterrados às 14h, no Cemitério de Olinda.

Os seis jovens saíram de casa sábado (9), em Nilópolis, na Baixada Fluminense, para ir a uma cachoeira que fica próxima à Favela da Chatuba, em Mesquita, e também ao Campo de Gericinó.

Investigações
As investigações da polícia apontam para a participação de pelo menos 20 traficantes na chacina, segundo o delegado Júlio da Silva Filho, titular da 53ª DP (Mesquita). De acordo com o delegado, os rapazes teriam sido mortos por morarem em uma comunidade pertencente à facção criminosa rival à dos traficantes da Chatuba.

Júlio afirmou que, além do assassinato dos rapazes, os criminosos também seriam os responsáveis pela morte do pastor Alexandre Lima e de um aspirante a PM. A polícia também investiga o desaparecimento de José Aldecir da Silva, que acompanhava o pastor na comunidade.

O delegado disse que todas as mortes foram comandadas por Remilton Moura da Silva Júnior, conhecido como Juninho Cagão, chefe do tráfico de drogas na Chatuba. Ainda segundo a polícia, há a hipótese de o PM ter sido torturado na área do parque pelo grupo criminoso.

Da esquerda para a direita, a partir de cima, os jovens mortos na chacina: Patrick, Christian e Glauber; Josias, Douglas e Victor (Foto: Reprodução)

O irmão mais velho de Patrick Machado, de 16 anos, um dos seis jovens assassinados no sábado, no Parque de Gericinó, afirmou que os adolescentes foram confundidos com traficantes rivais aos da Favela da Chatuba. "Pegaram os garotos pensando que eram 'os alemão' (sic) invadindo a Chatuba", contou o irmão.

"A gente foi até a Chatuba desenrolar com o gerente da boca de fumo da favela. Ele disse que os meninos foram confundidos com traficantes", contou o irmão, que não quis se identificar.

Ele disse que, na hora, não sentiu medo, e só queria saber onde estava o irmão menor. "Meu irmão estava sumido para o lado de lá, perto da favela. Então, eu fui buscar meu irmão", contou ele, que disse ter ido à Chatuba acompanhado de parentes dos outros jovens, e que não sofreu ameaças ou represálias dos traficantes. "Eles (os traficantes) não queriam ver a polícia invadindo a Chatuba", explicou o irmão

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