Polícia Federal não tem tradição republicana, afirma ex-delegado

"A Polícia Federal não tem nenhuma tradição de republicanismo. A PF, como perfil, é raivosa, retrógrada, de direita, conservadora, ‘coxinha’, classe média, nos piores sentidos”, afirma o delegado aposentado da Polícia Federal (PF) Armando Coelho Neto

(Foto: Divulgação/PF)
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Rede Brasil Atual - Para o jornalista e delegado aposentado da Polícia Federal (PF) Armando Coelho Neto, o aparelhamento da instituição pelo governo Bolsonaro é consequência das anomalias jurídico-institucionais derivadas do golpe do impeachment contra a ex-presidenta Dilma Rousseff e das distorções criadas pela Lava Jato. Junta-se a isso a tradição pouco republicana da instituição.

“A Polícia Federal não tem nenhuma tradição de republicanismo. A PF, como perfil, é raivosa, retrógrada, de direita, conservadora, ‘coxinha’, classe média, nos piores sentidos”, afirmou o ex-delegado a Rafael Garcia, para a edição da tarde do Jornal Brasil Atual, nesta quarta-feira (27).

Coelho Neto, que foi presidente da Federação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), também afirmou que a troca do comando da PF é uma atribuição do presidente, mas é “flagrante” o desvio de finalidade nessas nomeações.

Sobre a ação de busca e apreensão contra o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), há indicadores “claros e nítidos” do seu “viés político”. Por outro lado, diz haver suspeitas a serem apuradas em relação a um suposto esquema de desvio de dinheiro público na compra de materiais médicos para o combate à pandemia de coronavírus.

Coelho Neto também atribui a “fragilidade das instituições” no Brasil à “omissão” do Poder Judiciário e, em especial, do Supremo Tribunal Federal (STF). A Suprema Corte, segundo ele, se omitiu diante dos vazamentos e prisões abusivas da Lava Jato.

“Não consigo fazer uma análise concreta e objetiva diante de todas essas contradições. O país caiu num golpe de Estado e mergulhou numa eleição fraudulenta. Que sempre teve como pano de fundo a anomalia de postura da PF, MPF, da Justiça Federal, da PGR e do Supremo. Ou seja, uma avacalhação total de todas as instituições”, disse o ex-delegado.

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