População brasileira pagará mais caro por 5G se Bolsonaro banir empresa chinesa, diz presidente da Huawei

Sun Baocheng, presidente da Huawei no Brasil, afirma que, sem a empresa, a evolução da tecnologia 5G demoraria até quatro anos para ser iniciada e custaria mais claro aos brasileiros. Donald Trump está pressionando o governo brasileiro para banir a gigante tecnológica chinesa do leilão do 5G no Brasil

Sun Baocheng, presidente da Huawei no Brasil
Sun Baocheng, presidente da Huawei no Brasil (Foto: Divulgação)


247 - A população brasileira sairá no prejuízo se Jair Bolsonaro ceder às pressões do presidente dos Estados Unidos Donald Trump para banir a gigante tecnológica chinesa Huawei do leilão da 5G, opina Sun Baocheng, presidente da gigante tecnológica chinesa Huawei.

Em entrevista ao jornalista Julio Wiziack, da Folha de S.Paulo, Baocheng afirma que, sem a Huawei, a evolução da tecnologia de quinta geração demoraria até quatro anos para ser iniciada porque as teles teriam de trocar todos os equipamentos, que não conversam com o 5G dos concorrentes. Isso tornaria a evolução da telefonia mais cara para os brasileiros.

Para ele, um banimento serviria como um sinal ruim de que o país não é mais um território livre e justo para a livre iniciativa e isso comprometeria investimentos estrangeiros.

A Huawei é a maior fornecedora das operadoras de telefonia no Brasil. A empresa chinesa já está no Brasil há 22 anos. "Começou com o 2G, depois veio o 3G, o 4G, agora o 5G. Temos também transmissão em IP [protocolo de internet] e redes de acesso. Também prestamos serviços para outras indústrias, como energia, instituições financeiras e o setor público", afirma o executivo.

Ele informa que a participação da Huawei no setor de telecomunicações, é de entre 40% e 50%. Para outras indústrias, também é o prestador principal. Para os pequenos provedores de internet [ISP], temos mais de 40% de mercado.

O executivo chinês afirma que as empresas afirmam que, especialmente no 5G, a solução da Huawei é mais barata". 

Ele lembra que haverá um leilão da Anatel e os operadores vão participar. "A Huawei não participa diretamente. Além disso, hoje uma operadora já pode usar as redes existentes para fazer upgrade de 4G para 5G com [atualização] de software. No ano que vem, vai fazer leilão para frequências novas e os operadores vão participar. O banimento da Huawei terá pontos negativos".

Esses pontos negativos seriam, primeiro, a demora da transformação digital do Brasil; segundo, o aumento dos custos dos operadores e o terceiro é que os custos dos operadores vão ser transferidos para os consumidores. "Os brasileiros vão pagar um preço mais alto pelos serviços [de 5G]. Acho que qualquer tipo de banimento contra a Huawei só vai trazer impactos negativos e nenhum ponto positivo", afirma.

O executivo chinês dia que a empresa sempre respeitou as leis brasileiras e que mantém contato e conversas com as agências vinculadas ao governo. "Desde a privatização, o mercado sempre foi livre, justo, sem discriminação. Acredito que o governo vai fazer a opção correta. Acho que um mercado livre sem discriminação não é só importante para a Huawei, mas também para outras empresas estrangeiras. Por isso há tantas empresas com vontade de investir no Brasil".

Leia a íntegra da entrevista na Folha de S.Paulo

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