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Por 9 a 0, STF libera biografias sem autorização prévia

Relatora da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4815, ministra Cármen Lúcia votou no sentido de declarar inexigível a autorização prévia para a publicação de biografias; a ministra observou que há riscos de abuso, mas o direito prevê formas de repará-los; "O mais é censura, e censura é uma forma de cala-boca", concluiu; "Não é proibindo, recolhendo obras ou impedindo sua circulação, calando-se a palavra e amordaçando a história que se consegue cumprir a Constituição", afirmou

Relatora da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4815, ministra Cármen Lúcia votou no sentido de declarar inexigível a autorização prévia para a publicação de biografias; a ministra observou que há riscos de abuso, mas o direito prevê formas de repará-los; "O mais é censura, e censura é uma forma de cala-boca", concluiu; "Não é proibindo, recolhendo obras ou impedindo sua circulação, calando-se a palavra e amordaçando a história que se consegue cumprir a Constituição", afirmou (Foto: Gisele Federicce)

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247 - A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, votou nesta quarta-feira 10 a favor da publicação de biografias sem autorização prévia. Ela é relatora da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4815. Até o momento, oito dos nove ministros da corte votaram com a relatora, constituindo maioria em plenário. Confira abaixo reportagem publicada no site do STF sobre o voto da ministra:

Voto da ministra Cármen Lúcia afasta exigência de autorização para biografias

A relatora da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4815, ministra Cármen Lúcia, votou no sentido da procedência da ação para declarar inexigível a autorização prévia para a publicação de biografias. Seu voto dá interpretação conforme a Constituição da República aos artigos 20 e 21 do Código Civil, em consonância com os direitos fundamentais à liberdade de expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença e à inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das pessoas (artigo 5º, incisos V, VI, IX, X e XIV, da Constituição).

A ministra Cármen Lúcia explicou que a matéria em exame na ADI se refere ao conteúdo e à extensão do direito constitucional à expressão livre do pensamento, da atividade intelectual, artística e de comunicação dos biógrafos, editores e entidades públicas e privadas veiculadoras de obras biográficas, garantindo-se a liberdade de informar e de ser informado, de um lado, e o direito à inviolabilidade da intimidade e da privacidade dos biografados, de seus familiares e de pessoas que com eles conviveram. "Estas liberdades constitucionalmente asseguradas informam e conduzem a interpretação legítima das regras infraconstitucionais", afirmou. "O direito à liberdade de expressão é outra forma de afirmar-se a liberdade do pensar e expor o pensado ou o sentido. E é acolhida em todos os sistemas constitucionais democráticos".

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Conforme a relatora, a Constituição prevê, nos casos de violação da privacidade, da intimidade, da honra e da imagem, a reparação indenizatória, e, por outro lado, proíbe "toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística". Assim, uma regra infraconstitucional (o Código Civil) não pode abolir o direito de expressão e criação de obras literárias. "Não é proibindo, recolhendo obras ou impedindo sua circulação, calando-se a palavra e amordaçando a história que se consegue cumprir a Constituição", afirmou. "A norma infraconstitucional não pode amesquinhar preceitos constitucionais, impondo restrições ao exercício de liberdades".

A ministra observou que há riscos de abuso, mas o direito prevê formas de repará-los. "O mais é censura, e censura é uma forma de cala-boca", concluiu.

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