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Brasil

Povo de Tapajós culpa Duda pela derrota

Lideranas separatistas apontam unificao com a campanha pela criao de Carajs, decidida pelo publicitrio, como motivo para a derrota nas urnas deste domingo; mas Carajs bancou 80% da publicidade de Tapajs

Povo de Tapajós culpa Duda pela derrota (Foto: Antonio Cicero/AGÊNCIA ESTADO)
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247 – Sobrou para Duda Mendonça. Envolvido “pela causa” na campanha pela divisão do estado do Pará, o publicitário, que já havia irritado os separatistas ao deixar a campanha dias antes do plebiscito, é apontado como um dos principais culpados pela não criação do estado de Tapajós. Os líderes separatistas do oeste do Pará acreditam que a união das campanhas pela criação de Tapajós e de Carajás enfraqueceu o pleito.

A prefeita de Santarém, que seria a capital de Tapajós, acredita que o pleito pela emancipação do oeste paraense enfrentava menos rejeição que a criação de Carajás. Maria do Carmo (PT) considerou um equívoco a falta de diferenciação entre as duas regiões na campanha. É a mesma opinião do presidente do Instituto Cidadão Pró-Estado do Tapajós, o professor Edivaldo Bernardo, da Universidade Federal do Oeste do Pará.

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O problema é que a campanha pela criação de Tapajós foi praticamente toda bancada pelos vizinhos de Carajás. Além do mais, o plebiscito pela divisão do estado do Pará só passou no Congresso Nacional porque envolvia a criação dos dois estados. Será que a culpa é de Duda mesmo?

Relembre entrevista de Duda Mendonça ao 247 concedida semanas antes do plebiscito:

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Duda Mendonça ao 247: "Dividir o Pará é urgente"

Leonardo Attuch_247 – No mundo da publicidade, poucas pessoas têm um currículo comparável ao do baiano Duda Mendonça. A agência DM9, que fez história na propaganda brasileira, era de Duda mais nove – um deles, Nizan Guanaes, que hoje é o dono da marca. Duda se tornou ainda mais conhecido por conta de suas campanhas políticas, à esquerda e à direita. Ele ajudou a fazer de Paulo Maluf prefeito de São Paulo e a eleger Luiz Inácio Lula da Silva como presidente do Brasil. O momento mais dramático de sua vida aconteceu em 2005, no auge do Mensalão, quando ele admitiu ter recebido boa parte dos recursos das campanhas do PT fora do Brasil – o que poderia ter causado o impeachment de Lula. Depois disso, Duda continuou realizando campanhas públicas e privadas, mas submergiu. E só voltou à cena agora para liderar a campanha pela divisão do Pará em três estados, com a criação de Carajás, cuja capital seria Marabá, e de Tapajós, onde a sede do governo seria Santarém. “Entrei nessa por puro idealismo”, disse ele ao 247. “Estou fazendo a campanha de graça”. O plebiscito, marcado para o dia 11 de dezembro, tem exacerbado as emoções dos paraenses.

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Personagem polêmico, Duda passou a ser atacado em vários frentes. A Folha de S. Paulo o apontou como patrocinador de vaquejadas no Pará. “A imprensa brasileira é hoje uma vergonha”, diz ele. “As pessoas te ligam perguntando uma coisa e publicam outra”. Na Veja, o colunista Roberto Pompeu de Toledo o criticou, lembrando que Duda, duas décadas atrás fez uma campanha contra a divisão da Bahia, dizendo que o “Jorge não poderia se separar do Amado”, o “João do Gilberto”, e assim por diante. “Foi uma matéria sem vergonha, feita para ser usada aqui na campanha política”.

Duda conhece a realidade do Sul da Pará. Tem uma fazenda em Xinguara, onde engorda cerca de 10 mil bois. “Quem é contra nunca visitou esse pedaço do Brasil”, diz ele. “O Pará tem mais de 1 milhão de pessoas que vivem com dois reais por dia; tem gente que para ter acesso a um hospital precisa viajar cinco dias de barco; em Carajós e Tapajós a presença do Estado é inexistente; a tal ponto que os políticos de Belém nem vêm mais aqui pedir votos”.

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Estado rico, com povo pobre

Do ponto de vista de atributos naturais, o Pará é um dos estados mais ricos do Brasil. Carajás tem a maior província mineral do mundo e condições ideais para a pecuária. “Mas a Vale deixa menos impostos em Carajás do que uma rede de supermercados”, diz Duda. Só com a Lei Kandir, que retirou receita dos estados exportadores, o Pará perdeu R$ 21 bilhões, segundo o publicitário. “E o governador, o Simão Jatene, era amigo do Antônio Kandir e do Fernando Henrique”, diz Duda.

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Tapajós, por sua vez, possui terras em quantidade suficiente para a produção de grãos, num modelo de desenvolvimento sustentável. Mas as duas regiões, onde a presença do Estado é frágil, são marcadas por chacinas e conflitos agrários permanentes.

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