Preconceito contra Cuba

Por razões políticas, e não técnicas, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, sustou a contratação de médicos cubanos e abriu as portas para espanhóis e portugueses

Divulgado todos os anos pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o Índice de Desenvolvimento Humano é calculado com base em três critérios básicos: saúde da população, acesso ao conhecimento e bem-estar material, medido pela renda per capita e por padrões de igualdade social. Dos países latino-americanos, Cuba é o terceiro melhor colocado, atrás apenas do Chile e do Uruguai, e bem à frente do Brasil.

Dos indicadores cubanos, o que mais se destaca é a saúde. Na ilha, a expectativa de vida ao nascer é de 79,3 anos, muito próxima do padrão europeu, e também bem acima dos 73,8 anos, no Brasil. Um dos fatores que explicam o bom desempenho é o gasto de 9,7% do PIB em saúde, acima dos 7,5% de Portugal, dos 6,9% da Espanha e dos 4,2% do Brasil.

Com o investimento acumulado ao longo dos últimos anos, Cuba tem hoje um "superávit" na área de saúde, enquanto o Brasil é largamente deficitário – lá existem 6,4 médicos para cada mil habitantes, contra 1,8 no Brasil. Por isso mesmo, médicos cubanos são aceitos em vários países do mundo – inclusive em Portugal e na Espanha, que, a partir de agora, estarão aptos a exportar médicos para o Brasil.

Ao lançar o programa Mais Médicos, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, passou a tratar os dois países ibéricos como prioritários e sustou a contratação de cubanos. Por quê? Simplesmente por medo de que essa importação de profissionais, que foram tratados pela revista Veja como "espiões comunistas", pudesse prejudicar sua eventual campanha ao governo de São Paulo.

Ou seja: além de preconceituosa, foi uma decisão meramente política – e não técnica.

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