Presidente da OAB critica 'cultura machista' em evento na presença de Bolsonaro
Durante cerimônia no TST, na presença de Bolsonaro, o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, criticou o que chamou de "cultura machista" que, segundo ele, faz persistir a desigualdade salarial e "perpetua" a injustiça e o desrespeito às mulheres
247 - Durante cerimônia no Tribunal Superior do Trabalho (TST), que contava com a presença de Jair Bolsonaro, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, foi aplaudido ao criticar a "cultura machista" que, segundo ele, faz persistir a desigualdade salarial e "perpetua" a injustiça e o desrespeito às mulheres. A informação é do G1.
A declaração, feita durante a cerimônia de posse da nova presidente do TST, Cristina Peduzzi, primeira mulher a comandar o tribunal em mais de 70 anos, acontece poucos dias depois do ataque de Bolsonaro contra Patrícia Campos Mello, da Folha, em que insinuou que a jornalista teria se oferecido sexo em troca de informações para reportagens sobre o disparo em massa de mensagens.
"A luta da ministra [Cristina Peduzzi], que hoje alcança esse importante reconhecimento, continua sendo a luta de milhões de mulheres hoje. Mulheres que ainda enfrentam uma cultura machista que faz persistir a desigualdade de gênero em salários, processos seletivos e de progressão na carreira; que perpetuam a injustiça e, muitas vezes, o desrespeito às nossas trabalhadoras no exercício das suas funções", declarou Felipe.
Bolsonaro não aplaudiu a fala do presidente da OAB, do qual é desafeto. Ele afirmou que o pai de Santa Cruz foi assassinado nos anos 1970 pelos próprios companheiros de um "grupo terrorista" de luta armada e não por agentes da ditadura militar.
Em outro momento, Felipe Santa Cruz foi aplaudido pelos presentes ao defender as reformas estruturantes, desde que as mudanças não tenham como "horizonte" o "sacrifício dos mais pobres".
"Necessitamos de reformas que, de fato, democratizem e modernizem o país, tornando-o mais justo, mais eficiente e mais competitivo no mercado internacional. No entanto, nenhuma reforma deve ter como horizonte o sacrifício dos mais pobres e prescindir da participação democrática dos mais diversos setores da sociedade civil", conclui.